Um Espelho de Mão

Um Espelho de Mão

Segura-o severamente — vê este que ele devolve (quem é? és tu?)
Fora traje limpo, dentro cinzas e lixo,
Não mais um olho cintilante, não mais uma voz sonora ou passo ágil,
Agora olho, voz, mãos, passo de escravo,
Hálito de bêbado, cara de comedor insalubre, corpo de doente venéreo,
Pulmões apodrecendo aos poucos, estômago ácido e ulcerado,
Articulações reumáticas, intestinos bloqueados de abominação,
Sangue circulando fluxos escuros e venenosos,
Palavras gaguejam, audição e tato insensíveis,
Sem cérebro, sem coração, sem magnetismo do sexo;
Tanto de um olhar neste espelho antes de partires daqui,
Tal resultado tão logo — e de tal um começo!

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