Ídolos
Ídolos[1]
Conheci um vidente,
Passando os matizes e objetos do mundo,
Os campos da arte e estudo, prazer, sentido,
Para compilar ídolos.
Põe em teus cantos, disse ele,
Não mais a hora confusa ou dia, nem segmentos, partes, pões,
Põe primeiro como luz para tudo e canção de estréia de tudo,
A dos ídolos.
Sempre o sombrio começo,
Sempre o crescimento, o circundar do círculo,
Sempre o ápice e a fusão por fim, (pra certamente iniciar de novo,)
Ídolos! ídolos!
Sempre o mutável,
Sempre materiais, mudando, se esboroando, re-aderindo,
Sempre os ateliês, as divinas fábricas,
Lançando ídolos.
Vê, eu ou tu,
Ou mulher, homem, ou estado, conhecido ou desconhecido,
Parecendo sólidos riqueza, força, beleza erigimos,
Mas realmente erigimos ídolos.
O evanescente aspecto,
A essência do ânimo de um artista ou longos estudos de um erudito,
Ou labutas do guerreiro, mártir, herói,
Para moldar seu ídolo.
De toda vida humana,
(As unidades reunidas, fixadas, nem um pensamento, emoção, ação, omitidos,)
O todo ou grande ou pequeno somados, adicionados,
Em seu ídolo.
O velho, velho ímpeto,
Baseado nos pináculos antigos, vê, pináculos mais novos, mais altos,
Da ciência e do moderno ainda impelido,
O velho, velho ímpeto, ídolos.
O presente agora e aqui,
O turbilhão ativo, fértil, complexo, da América,
De agregado e segregado para só então liberar,
Os ídolos de hoje.
Estes com o passado,
De terras desvanecidas, de todos os reinos de reis pelo mar,
Velhos conquistadores, velhas campanhas, viagens de velhos marinheiros,
Unindo ídolos.
Densidades, crescimento, fachadas,
Estratos de montanhas, solos, rochas, árvores gigantescas,
Nascidos ao longe, morrendo ao longe, vivendo muito, para partir,
Eternos ídolos.
Exaltè[2], transido, extático,
O visível exceto seu útero de nascimento,
De tendências órbicas para moldar, moldar e moldar,
O poderoso ídolo-terra.
Todo espaço, todo tempo,
(As estrelas, as terríveis perturbações dos sóis,
Inchando, ruindo, findando, cumprindo sua função completa,)
Repletos de ídolos apenas.
As miríades silenciosas,
Os oceanos infinitos onde os rios deságuam,
As incontáveis identidades livres separadas, como a visão,
As verdadeiras realidades, ídolos.
Não isto o mundo,
Nem estes os universos, eles os universos,
Sentido e fim, sempre a permanente vida da vida,
Ídolos, ídolos.
Além de tuas palestras culto mestre,
Além de teu telescópio ou espectroscópio agudo observador, além de toda matemática,
Além da cirurgia, anatomia do médico, além do químico com sua química,
As entidades das entidades, ídolos.
Infixos porém fixos,
Sempre serão, sempre foram e são,
Varrendo o presente ao futuro infinito,
Ídolos, ídolos, ídolos.
O profeta e o bardo,
Ainda se manterão, em estágios ainda mais altos,
Mediarão ao Moderno, à Democracia, interpretarão ainda para eles,
Deus e ídolos.
E tu minha alma,
Júbilos, exercícios incessantes, exaltações,
Tua ânsia saciada amplamente por fim, preparada para conhecer,
Teus parceiros, ídolos.
Teu corpo permanente,
O corpo oculto dentro de teu corpo,
O único sentido da forma que és, o eu mesmo real,
Uma imagem, um ídolo.
Tuas próprias canções não em tuas canções,
Nenhuma tensão especial para cantar, nenhuma por si mesmo,
Mas resultando do todo, se elevando por fim e flutuando,
Um ídolo redondo esférico.
[1] Eidólon(s): simulacro, fantasma, imagem, espectro, aparição, uma imagem do ideal, modelo. Do grego eidlon, de eidos, forma. A palavra ídolo (imagem usada para adoração, um deus falso) tem a mesma origem.
[2] Do francês, exaltado.
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One Response to “Ídolos”
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[...] desses versos, pouco usual em Folhas de Relva, que aparece em raros momentos também em “Ídolos”, do livro Inscrições e em “Oh Capitão! Meu Capitão!”, de [...]