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	<title>Poesia de Whitman</title>
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	<description>As Folhas de Relva de Walt Whitman</description>
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		<title>Cr&#237;ticas &#224; obra de Walt Whitman</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Jan 2010 14:51:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gentil</dc:creator>
				<category><![CDATA[Crítica]]></category>
		<category><![CDATA[Emily Dickinson]]></category>

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		<description><![CDATA[Embora esta seja uma p&#225;gina de publica&#231;&#227;o da obra de Walt Whitman, Folhas de Relva, acredito que n&#227;o poderia faltar aqui uma se&#231;&#227;o de cr&#237;tica, seja ela a favor ou contra.
O pr&#243;prio Whitman jamais aceitou qualquer tipo de censura &#224; integridade de sua obra, no sentido de que sofresse cortes, o que n&#227;o quer dizer [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Embora esta seja uma p&aacute;gina de publica&ccedil;&atilde;o da obra de <strong>Walt Whitman</strong>, <em>Folhas de Relva</em>, acredito que n&atilde;o poderia faltar aqui uma se&ccedil;&atilde;o de cr&iacute;tica, seja ela a favor ou contra.</p>
<p>O pr&oacute;prio Whitman jamais aceitou qualquer tipo de censura &agrave; integridade de sua obra, no sentido de que sofresse cortes, o que n&atilde;o quer dizer que n&atilde;o tenha aceitado cr&iacute;ticas. Ele era um &aacute;rduo defensor da Democracia e do debate, da pluralidade e da conviv&ecirc;ncia pac&iacute;fica entre diferentes formas de vida e express&atilde;o.</p>
<p>E assim como ele fazia cr&iacute;ticas &agrave; obra alheia, sem ensejar cortes, evidentemente, aqui tamb&eacute;m cabem cr&iacute;ticas . Ele mesmo fez declara&ccedil;&otilde;es autocr&iacute;ticas em sua poesia, como a famosa passagem sobre a pr&oacute;pria contradi&ccedil;&atilde;o.</p>
<p>Deste modo, publico uma cr&iacute;tica &agrave; poesia whitmaniana emitida pela maior poetisa norte-americana, conterr&acirc;nea do bardo, a algu&eacute;m que lhe falou sobre o poeta:</p>
<p>“Tu mencionas o Sr. Whitman. Eu nunca li seu livro, mas disseram-me que era infame.” <strong>Emily Dickinson</strong>, 26 de abril de 1862.</p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 280px"><a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Ficheiro:Black-white_photograph_of_Emily_Dickinson.jpg" target="_blank"><img class=" " src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/f/fc/Black-white_photograph_of_Emily_Dickinson.jpg/300px-Black-white_photograph_of_Emily_Dickinson.jpg" alt="" width="270" height="321" /></a><p class="wp-caption-text">Emily Dickinson por volta de 1847</p></div>
<p>Para n&atilde;o pairar d&uacute;vidas sobre a afirma&ccedil;&atilde;o da Emily, pois nossa l&iacute;ngua usa o mesmo pronome para pessoas e objetos (ele), ela est&aacute; se referindo ao livro (<em>it</em>), e n&atilde;o ao poeta.</p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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		<title>An&#225;lise do trabalho realizado at&#233; o momento</title>
		<link>http://poesiadewhitman.com/analise-do-trabalho-realizado-ate-o-momento.html</link>
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		<pubDate>Thu, 14 Jan 2010 14:52:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gentil</dc:creator>
				<category><![CDATA[00. Página Inicial]]></category>
		<category><![CDATA[01. Folhas de Relva]]></category>
		<category><![CDATA[04. Canção de Mim Mesmo]]></category>
		<category><![CDATA[Tradução]]></category>

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		<description><![CDATA[Analisando todos os livros e poemas que j&#225; traduzi de Folhas de Relva, os quais podem ser todos lidos neste site, acredito que preenchi minhas pr&#243;prias expectativas com rela&#231;&#227;o &#224; recria&#231;&#227;o ou simplesmente tradu&#231;&#227;o da poesia de Walt Whitman para nossa l&#237;ngua.
Muito embora seja dif&#237;cil criticar o pr&#243;prio trabalho, por poder cair na armadilha do [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p>Analisando todos os livros e poemas que j&aacute; traduzi de <em>Folhas de Relva</em>, os quais podem ser todos lidos neste site, acredito que preenchi minhas pr&oacute;prias expectativas com rela&ccedil;&atilde;o &agrave; recria&ccedil;&atilde;o ou simplesmente tradu&ccedil;&atilde;o da poesia de <strong>Walt</strong> <strong>Whitman</strong> para nossa l&iacute;ngua.</p>
<p>Muito embora seja dif&iacute;cil criticar o pr&oacute;prio trabalho, por poder cair na armadilha do auto-elogio, pelo menos posso dizer que minha abordagem a esta tarefa &eacute; diferente das tradu&ccedil;&otilde;es geralmente literais ou quase literais existentes, principalmente no que se refere a ritmo, como enfatizo bastante em minha pesquisa de doutorado.</p>
<p>Tamb&eacute;m pelos retornos que j&aacute; recebi sobre o meu trabalho, e aqui falo de opini&otilde;es experientes, posso dizer que consegui manter o fluxo dos poemas, e sinto que sua leitura em voz alta demonstrar&aacute; isso, pois sempre testo minhas escolhas sonoramente, para ver se elas s&atilde;o adequadas ao poema.</p>
<p>Isso quer dizer que sempre tento encontrar a melhor combina&ccedil;&atilde;o de sons poss&iacute;vel para cada verso ou parte de verso. Meu prop&oacute;sito nisso n&atilde;o &eacute; fazer o verso soar bonito, mas estabelecer a melhor combina&ccedil;&atilde;o f&ocirc;nica para transmitir o sentido do verso captado no original em ingl&ecirc;s. H&aacute; casos em que o efeito poder&aacute; ser exatamente o contr&aacute;rio, isto &eacute;, em vez de beleza, o verso descrever&aacute; cenas nas quais pensamentos terr&iacute;veis e doen&ccedil;as estar&atilde;o presentes.</p>
<p>Al&eacute;m disso, fiz um trabalho meticuloso sobre o vocabul&aacute;rio, para que os trechos ou palavras do original que transmitam uma sensa&ccedil;&atilde;o de estranheza pudessem ser transpostos dessa maneira em portugu&ecirc;s.</p>
<p>No entanto, h&aacute; mais do que estranheza em <em>Folhas de Relva</em>: Whitman gostava de utilizar palavras emprestadas de outras l&iacute;nguas, tais como franc&ecirc;s, espanhol e l&iacute;nguas americanas nativas (ex.: savant, Libertad, Paumanok); ele gostava de escrever palavras com K (kanadiano, kosmos), e ele &agrave;s vezes mudava a grafia das palavras (ele escreveu “carlacue” – floreio, ornamento -, na se&ccedil;&atilde;o 20 de “Can&ccedil;&atilde;o de Mim Mesmo”, mas a grafia correta &eacute; “curlicue” ou “carlycue”). Tudo isso se transforma em &aacute;rdua tarefa para o tradutor, pois &agrave;s vezes a gente leva um tempo danado para descobrir que aquela palavra cujo sentido n&atilde;o conseguimos descobrir simplesmente foi buscada em outra l&iacute;ngua! Como se diz no popular, s&atilde;o os ossos do of&iacute;cio.</p>
<p>Tudo isso, junto com seu extenso vocabul&aacute;rio em <em>Folhas de Relva</em>, mais de 13.000 palavras, a tarefa de pesquisar e verificar cada uma delas &eacute; tremenda. Neste caso, a <strong>Norton Critical Edition</strong> (WHITMAN, 2002), ou seja, a edi&ccedil;&atilde;o cr&iacute;tica da editora Norton, tem sido de um valor inestim&aacute;vel com seu incr&iacute;vel n&uacute;mero de notas a poemas e vocabul&aacute;rio. Sem ela, provavelmente a tradu&ccedil;&atilde;o teria muitas falhas.</p>
<p>Tamb&eacute;m fiz um trabalho exaustivo com rela&ccedil;&atilde;o &agrave;s estruturas gramaticais e pontua&ccedil;&atilde;o, assim como com a maneira whitmaniana de usar certas coloca&ccedil;&otilde;es, particularmente com adjetivos, que Whitman tendia a usar em locais da ora&ccedil;&atilde;o que n&atilde;o se adequam ao ingl&ecirc;s correto (ele gostava de usar adjetivos depois dos substantivos, o que n&atilde;o &eacute; considerado sintaticamente aceit&aacute;vel na l&iacute;ngua inglesa).</p>
<p>Como em portugu&ecirc;s os adjetivos podem aparecer antes ou depois dos substantivos, sempre tentei inseri-los da melhor maneira poss&iacute;vel, isto &eacute;, de forma a manter a atmosfera original dos poemas.</p>
<p>Outro aspecto que re-criei com o m&aacute;ximo de cuidado foi o uso das <strong>formas –ing</strong> (que podem ser chamadas de ger&uacute;ndio ou partic&iacute;pio presente), sejam elas verbos ou substantivos / formas nominais, j&aacute; que elas s&atilde;o uma parte essencial do verso de Whitman.</p>
<p>Apesar de tudo que j&aacute; escrevi, que est&aacute; publicado neste site, no <strong><a title="ir para o site" href="http://english.mrkind.pro.br/" target="_blank">Whitmanian Seeds In The Kosmos</a></strong> (a tese em ingl&ecirc;s) e no <strong><a title="ir para o site" href="http://poesia.mrkind.pro.br/" target="_blank">S&iacute;tio de Poesia</a></strong> (a disserta&ccedil;&atilde;o em portugu&ecirc;s), eu sei que o trabalho de um tradutor nunca termina, pois toda vez que retornamos aos poemas, procuramos erros que porventura n&atilde;o tenham ainda sido detectados, e certamente os encontraremos, e verificaremos cada verso de novo para melhor&aacute;-lo, como fiz com minhas tradu&ccedil;&otilde;es anteriores.</p>
<p>Entretanto, tamb&eacute;m sei que chega um momento em que os olhos n&atilde;o s&atilde;o mais capazes de encontrar erros, devido &agrave; excessiva proximidade com os textos. Desta maneira, o tradutor faz uma pausa em sua tarefa, suspendendo tamb&eacute;m a auto-cr&iacute;tica, repassando este trabalho para cr&iacute;ticos e leitores.</p>
<p>Parafraseando Whitman, no momento estou contente com o trabalho j&aacute; realizado com <em>Folhas de Relva</em>, e o deixo inteiramente &agrave; vista do p&uacute;blico aqui, para ser avaliado e comentado. Enquanto isso, vou meditando e preparando a tradu&ccedil;&atilde;o de outros poemas, e parodiando o in&iacute;cio da <em>Divina Com&eacute;dia</em> de Dante: estou ainda em meio da jornada! H&aacute; ainda muito trabalho pela frente, e &eacute; preciso coragem e determina&ccedil;&atilde;o para levar esta empreitada a cabo!</p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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		<title>Os Adormecidos</title>
		<link>http://poesiadewhitman.com/os-adormecidos.html</link>
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		<pubDate>Sun, 10 Jan 2010 14:18:15 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gentil</dc:creator>
				<category><![CDATA[31. Os Adormecidos]]></category>
		<category><![CDATA[Os Adormecidos]]></category>
		<category><![CDATA[Sonhos]]></category>
		<category><![CDATA[Tradução]]></category>

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		<description><![CDATA[Os Adormecidos
.
Vis&#227;o noturna
1
.
 
Vagueio toda a noite em minha vis&#227;o,
Pisando com p&#233;s leves, r&#225;pida e irruidosamente pisando e parando,
Curvando de olhos abertos sobre os olhos fechados dos adormecidos,
Errante e confuso, perdido de mim mesmo, mal-ajustado, contradit&#243;rio,
Vacilando, fitando, curvando e parando.
.
Qu&#227;o solenes parecem ali, espichados e im&#243;veis,
Qu&#227;o calmos respiram, os pequeninos em seus ber&#231;os.
.
As p&#233;ssimas fei&#231;&#245;es [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>Os Adormecidos</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #ffffff;">.</span></strong></p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 379px"><a href="http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?picture=night-vision&amp;image=717&amp;large=1" target="_blank"><img class=" " src="http://www.publicdomainpictures.net/pictures/1000/nahled/259-1213253863KAfe.jpg" alt="" width="369" height="277" /></a><p class="wp-caption-text">Vis&atilde;o noturna</p></div>
<p style="text-align: center;">1</p>
<p style="text-align: center;"><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Vagueio toda a noite em minha vis&atilde;o,</p>
<p>Pisando com p&eacute;s leves, r&aacute;pida e irruidosamente pisando e parando,</p>
<p>Curvando de olhos abertos sobre os olhos fechados dos adormecidos,</p>
<p>Errante e confuso, perdido de mim mesmo, mal-ajustado, contradit&oacute;rio,</p>
<p>Vacilando, fitando, curvando e parando.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Qu&atilde;o solenes parecem ali, espichados e im&oacute;veis,</p>
<p>Qu&atilde;o calmos respiram, os pequeninos em seus ber&ccedil;os.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>As p&eacute;ssimas fei&ccedil;&otilde;es dos enfadados, as alvas fei&ccedil;&otilde;es dos cad&aacute;veres, os rostos l&iacute;vidos de b&ecirc;bados, os rostos doente-l&uacute;gubres de onanistas,</p>
<p>Os corpos acutilados nos campos de batalha, os insanos nos quartos de porta refor&ccedil;ada, os idiotas sagrados, o rec&eacute;m-nascido emergindo de port&otilde;es e os moribundos emergindo de port&otilde;es,</p>
<p>A noite os permeia e os envolve.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>O casal casado dorme calmamente em sua cama, ele com sua palma no quadril da esposa e ela com sua palma no quadril do marido,</p>
<p>As irm&atilde;s dormem ternamente lado a lado em sua cama,</p>
<p>Os homens dormem ternamente lado a lado na sua,</p>
<p>E a m&atilde;e dorme com seu filhinho cuidadosamente coberto.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Os cegos dormem e os surdos e mudos dormem,</p>
<p>O prisioneiro dorme bem na pris&atilde;o, o filho fugitivo dorme,</p>
<p>O assassino que deve ser enforcado no dia seguinte, como ele dorme?</p>
<p>E a pessoa assassinada, como ele dorme<a href="file:///D:/Meus%20Documentos/TRADU%C3%87%C3%95ES%20DOUTORADO/TEXTOS%20PARA%20PUBLICAR/OS%20POEMAS%20DA%20TESE.doc#_ftn1">[1]</a>?</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>A f&ecirc;mea que ama incorrespondida dorme,</p>
<p>E o macho que ama incorrespondido dorme,</p>
<p>A cabe&ccedil;a do acumulador de riquezas que tramou todo o dia dorme,</p>
<p>E as disposi&ccedil;&otilde;es enfurecidas e trai&ccedil;oeiras, todas, todas dormem.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Eu me posto no escuro com olhos pendentes juntos aos mais sofredores e os mais inquietos,</p>
<p>Eu passo minhas m&atilde;os docemente de um lado pra outro a umas poucas polegadas deles,</p>
<p>Os inquietos afundam em suas camas, eles dormem intermitentemente.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Agora perfuro a escurid&atilde;o, novos seres aparecem,</p>
<p>A terra recua de mim para dentro da noite,</p>
<p>Eu vi que ela era bonita e vejo que o que n&atilde;o &eacute; a terra &eacute; belo.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Eu vou de um lado de uma cama a outro, durmo junto aos outros adormecidos de cada vez,</p>
<p>Eu sonho em meu sonho todos os sonhos dos outros sonhadores,</p>
<p>E me torno os outros sonhadores.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Eu sou uma dan&ccedil;a—destacai a&iacute;! o espasmo est&aacute; me rodopiando r&aacute;pido!</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Eu sou o sempre-risonho—&eacute; lua nova e crep&uacute;sculo,</p>
<p>Eu vejo o ocultar de deleites, vejo &aacute;geis fantasmas onde quer que eu olhe,</p>
<p>Esconderijo e esconderijo de novo fundo no ch&atilde;o e mar e onde nem n&atilde;o &eacute; ch&atilde;o nem mar.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Bem fazem seus trabalhos esses divinos art&iacute;fices,</p>
<p>S&oacute; de mim n&atilde;o podem esconder nada e n&atilde;o fariam se pudessem,</p>
<p>Considero que sou seu chefe e al&eacute;m disso me fazem seu favorito,</p>
<p>E me rodeiam e me guiam e correm adiante quando caminho,</p>
<p>Para erguer seus sagazes disfarces para me sinalizar com bra&ccedil;os esticados e retomar o caminho;</p>
<p>&Agrave; frente nos movemos, um alegre grupo de vil&otilde;es! com m&uacute;sica alegre-gritante e  selvagem-agitadas fl&acirc;mulas de j&uacute;bilo!</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Eu sou o ator, a atriz, o eleitor, o pol&iacute;tico,</p>
<p>O emigrante e o ex&iacute;lio, o criminoso que se levantou no cub&iacute;culo,</p>
<p>Aquele que tem sido famoso e aquele que ser&aacute; famoso depois de hoje,</p>
<p>O gago, a pessoa bem-formada, a pessoa consumida ou d&eacute;bil.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Eu sou aquela que se adornou e cingiu seu cabelo expectantemente,</p>
<p>Meu malandro amante chegou e est&aacute; escuro.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Duplica-te e recebe-me escurid&atilde;o,</p>
<p>Recebe-me e a meu amante tamb&eacute;m, ele n&atilde;o me deixar&aacute; ir sem ele.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Eu rolo sobre ti como em uma cama, me entrego ao crep&uacute;sculo.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Aquele a quem chamo me responde e toma o lugar de meu amante,</p>
<p>Ele se levanta comigo silenciosamente da cama.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Escurid&atilde;o, &eacute;s mais gentil que meu amante, seu corpo estava suado e ofegante,</p>
<p>Ainda sinto a quente umidade que ele me deixou.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Minhas m&atilde;os est&atilde;o distendidas, eu as passo em todas as dire&ccedil;&otilde;es,</p>
<p>Eu sondaria a praia sombria &agrave; qual est&aacute;s te dirigindo.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Cuidado escurid&atilde;o! o que era que j&aacute; me tocou?</p>
<p>Pensei que meu amante tinha partido, a menos que a escurid&atilde;o e ele sejam um,</p>
<p>Ou&ccedil;o o bater do cora&ccedil;&atilde;o, sigo, desvane&ccedil;o.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>2</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Des&ccedil;o em meu curso ocidental, meus tend&otilde;es est&atilde;o fl&aacute;cidos,</p>
<p>Perfume e juventude me percorrem e eu sou seu rastro.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>&Eacute; meu rosto amarelo e enrugado em vez do da velha,</p>
<p>Eu sento baixo em uma cadeira de palha e cuidadosamente cerzo as meias de meu neto.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Sou eu tamb&eacute;m, a vi&uacute;va insone olhando a meia-noite de inverno,</p>
<p>Vejo as fa&iacute;scas de luz estelar na terra glacial e p&aacute;lida.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Uma mortalha vejo e sou a mortalha, enrolo um corpo e deito no caix&atilde;o,</p>
<p>&Eacute; escuro aqui sob o ch&atilde;o, n&atilde;o &eacute; mal ou dor aqui, &eacute; vazio aqui, por raz&otilde;es.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>(Parece-me que tudo na luz e no ar devia estar feliz,</p>
<p>Quem n&atilde;o estiver em seu caix&atilde;o e na escura tumba que saiba que ele tem o bastante.)</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>3</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Vejo um belo gigantesco nadador nadando nu pelos torvelinhos do mar,</p>
<p>Seu cabelo castanho jaz rente e liso em sua cabe&ccedil;a, ele golpeia com bra&ccedil;os corajosos, ele se impele com suas pernas,</p>
<p>Vejo seu corpo alvo, vejo seus olhos destemidos,</p>
<p>Odeio os torvelinhos r&aacute;pido-correntes que o arrojariam totalmente de cabe&ccedil;a nas pedras.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>O que estais fazendo ondas desordeiras gotejadas de vermelho?</p>
<p>Matareis o gigante corajoso? o matareis no auge de sua meia-idade?</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Firme e longamente ele luta,</p>
<p>Ele est&aacute; confuso, detonado, contundido, ele resiste enquanto sua for&ccedil;a resiste,</p>
<p>Os estapeantes torvelinhos est&atilde;o manchados com seu sangue, eles o ganham, eles o rolam, o balan&ccedil;am, o giram,</p>
<p>Seu belo corpo &eacute; carregado nos circundantes torvelinhos, &eacute; continuamente contundido nas rochas,</p>
<p>R&aacute;pido e longe da vista &eacute; carregado o valente cad&aacute;ver.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>4</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Eu giro mas n&atilde;o me desenredo,</p>
<p>Confuso, uma leitura passada, uma outra, mas com escurid&atilde;o ainda.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>A praia &eacute; cortada por vento gelado cortante, as armas de destrui&ccedil;&atilde;o soam,</p>
<p>A tempestade se acalma, a lua vem trope&ccedil;ando pelos detritos.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Olho onde o navio sem aux&iacute;lio avan&ccedil;a de ponta, ou&ccedil;o o estouro quando ele golpeia, ou&ccedil;o os uivos de des&acirc;nimo, eles ficam cada vez mais l&acirc;nguidos.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>N&atilde;o posso ajudar com meus dedos torcidos,</p>
<p>S&oacute; posso me apressar &agrave; rebenta&ccedil;&atilde;o e deix&aacute;-la me encharcar e congelar sobre mim.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Procuro com a multid&atilde;o, nem um da companhia nos &eacute; trazido vivo,</p>
<p>De manh&atilde; ajudo a pegar os mortos e os colocar em fileiras em um celeiro.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>5</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Agora dos dias mais antigos de guerra, a derrota no Brooklyn,</p>
<p>Washington se posta dentro das linhas, ele se posta nas colinas entrincheiradas entre uma multid&atilde;o de oficiais,</p>
<p>Seu rosto est&aacute; frio e &uacute;mido, ele n&atilde;o consegue reprimir as gotas de pranto,</p>
<p>Ele ergue o telesc&oacute;pio perpetuamente a seus olhos, a tez de suas bochechas est&aacute; descorada,</p>
<p>Ele v&ecirc; a matan&ccedil;a dos valentes sulistas confiados a ele pelos seus pais.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>O mesmo por fim e por fim quando a paz &eacute; declarada,</p>
<p>Ele se posta no c&ocirc;modo da velha taverna, todos os soldados bem-amados passam,</p>
<p>Os oficiais estupefatos e lentos se aproximam por sua vez,</p>
<p>O chefe circunda seus pesco&ccedil;os com o bra&ccedil;o e os beija na bochecha,</p>
<p>Ele beija as bochechas molhadas ligeiramente uma ap&oacute;s a outra, ele aperta as m&atilde;os e d&aacute; adeus ao ex&eacute;rcito.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>6</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Agora o que minha m&atilde;e me contou um dia quando sentamos juntos ao jantar,</p>
<p>De quando ela era uma menina quase crescida morando em casa dos pais na antiga propriedade rural.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Uma &iacute;ndia vermelha veio na hora do desjejum &agrave; antiga propriedade,</p>
<p>Nas costas ela carregava um feixe de juncos para empalhar assentos de cadeiras,</p>
<p>Seu cabelo, liso, brilhoso, grosso, preto, profuso, meio-envolvia seu rosto,</p>
<p>Seu passo era livre e el&aacute;stico e sua voz soava primorosamente quando falava.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Minha m&atilde;e olhava com deleite e assombro a estranha,</p>
<p>Ela olhava o frescor de seu enorme rosto e membros &iacute;ntegros e flex&iacute;veis,</p>
<p>Quanto mais ela olhava pra ela mais a amava,</p>
<p>Nunca antes tinha ela visto tal beleza maravilhosa e pureza,</p>
<p>Ela a fez sentar-se em um banco ao lado do p&eacute; direito da lareira, cozinhou comida pra ela,</p>
<p>N&atilde;o tinha nenhum trabalho para lhe dar, mas lhe deu recorda&ccedil;&atilde;o e afeto.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>A &iacute;ndia vermelha permaneceu toda a manh&atilde; e pelo meio da tarde foi embora,</p>
<p>Oh minha m&atilde;e estava relutante a deix&aacute;-la ir embora,</p>
<p>Toda a semana pensou nela, esperou por ela muitos meses,</p>
<p>Ela se lembrou dela muitos invernos e muitos ver&otilde;es,</p>
<p>Mas a &iacute;ndia vermelha nunca voltou nem se ouviu falar nela de novo.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>7</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Um espet&aacute;culo da suavidade do ver&atilde;o—um contato de algo n&atilde;o visto—um namoro da luz e do ar,</p>
<p>Estou enciumado e esmagado de simpatia,</p>
<p>E irei flertar eu mesmo com a luz e o ar.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Oh amor e ver&atilde;o, estais nos sonhos e em mim,</p>
<p>Outono e inverno est&atilde;o nos sonhos, o fazendeiro vai com sua frugalidade,</p>
<p>Os rebanhos e colheitas aumentam, os celeiros est&atilde;o bem-preenchidos.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Elementos se fundem na noite, navios fazem manobras nos sonhos,</p>
<p>O marinheiro navega, o exilado retorna ao lar,</p>
<p>O fugitivo retorna ileso, o imigrante est&aacute; de volta al&eacute;m de meses e anos,</p>
<p>O irland&ecirc;s pobre mora na casa simples de sua inf&acirc;ncia com vizinhos e rostos bem-conhecidos,</p>
<p>Eles o acolhem calorosamente, ele est&aacute; descal&ccedil;o de novo, ele esquece que ele &eacute; pr&oacute;spero,</p>
<p>O holand&ecirc;s veleja pra casa e o escoc&ecirc;s e o gal&ecirc;s velejam pra casa e o nativo do mediterr&acirc;neo veleja pra casa,</p>
<p>A todo porto da Inglaterra, Fran&ccedil;a, Espanha, entram navios bem carregados,</p>
<p>O su&iacute;&ccedil;o caminha para suas colinas, o prussiano parte, o h&uacute;ngaro parte e o polon&ecirc;s parte,</p>
<p>O sueco retorna e o dinamarqu&ecirc;s e noruegu&ecirc;s retornam.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Os que se dirigem ao lar e os de viagem ao estrangeiro,</p>
<p>O belo nadador perdido, o enfadado, o onanista, a f&ecirc;mea que ama incorrespondida, o acumulador de riquezas,</p>
<p>O ator e atriz, aqueles que findaram seus pap&eacute;is e aqueles que esperam come&ccedil;ar,</p>
<p>O menino afetuoso, o marido e a mulher, o eleitor, o indicado que &eacute; escolhido e o indicado que fracassou,</p>
<p>O grande j&aacute; conhecido e o grande a qualquer tempo depois de hoje,</p>
<p>O gago, o doente, o que tem forma perfeita, o tosco,</p>
<p>O criminoso que se levantou no cub&iacute;culo, o juiz que se sentou e o condenou, os advogados fluentes, o j&uacute;ri, o p&uacute;blico,</p>
<p>O risonho e o chor&atilde;o, o dan&ccedil;arino, a vi&uacute;va da meia-noite, a &iacute;ndia vermelha,</p>
<p>O t&iacute;sico, o erisipeloso, o idiota, o que foi injusti&ccedil;ado,</p>
<p>Os ant&iacute;podas e cada um entre isto e os que est&atilde;o na escurid&atilde;o,</p>
<p>Juro que eles est&atilde;o na m&eacute;dia agora—um n&atilde;o &eacute; melhor que o outro,</p>
<p>A noite e o sono os equipararam e os restauraram.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Juro que eles s&atilde;o todos belos,</p>
<p>Cada um que dorme &eacute; belo, tudo na luz sombria &eacute; belo,</p>
<p>O mais selvagem e mais sangrento terminou e tudo est&aacute; em paz.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>A paz &eacute; sempre bela,</p>
<p>O mito do c&eacute;u indica paz e noite.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>O mito do c&eacute;u indica a alma,</p>
<p>A alma &eacute; sempre bela, ela aparece mais ou aparece menos, vem ou fica pra tr&aacute;s,</p>
<p>Ela vem de seu jardim copado e olha agradavelmente a si mesma e circunda o mundo,</p>
<p>Perfeitos e limpos os genitais jorrando previamente e perfeito e limpo o &uacute;tero aderindo,</p>
<p>A cabe&ccedil;a bem-desenvolvida proporcionada e aprumada e os intestinos e articula&ccedil;&otilde;es proporcionados e aprumados.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>A alma &eacute; sempre bela,</p>
<p>O universo est&aacute; devidamente em ordem, tudo est&aacute; em seu lugar,</p>
<p>O que chegou est&aacute; em seu lugar e o que espera estar&aacute; em seu lugar,</p>
<p>O cr&acirc;nio torcido espera, o sangue aguado ou podre espera,</p>
<p>O filho do glut&atilde;o ou do de doen&ccedil;a ven&eacute;rea espera muito e o filho do b&ecirc;bado espera muito e o pr&oacute;prio b&ecirc;bado espera muito,</p>
<p>Os adormecidos que viveram e morreram esperam, os muito avan&ccedil;ados devem continuar por sua vez e os muito atrasados devem vir por sua vez,</p>
<p>O diverso n&atilde;o ser&aacute; menos diverso, mas eles fluir&atilde;o e unir&atilde;o—eles se unem agora.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>8</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Os adormecidos s&atilde;o muito belos conforme jazem despidos,</p>
<p>Eles fluem de m&atilde;os dadas por sobre toda a terra de leste a oeste conforme jazem despidos,</p>
<p>O asi&aacute;tico e africano est&atilde;o de m&atilde;os dadas, o europeu e americano est&atilde;o de m&atilde;os dadas,</p>
<p>Cultos e incultos est&atilde;o de m&atilde;os dadas e macho e f&ecirc;mea est&atilde;o de m&atilde;os dadas,</p>
<p>O bra&ccedil;o nu da mo&ccedil;a cruza o peito nu de seu amante, eles se pressionam sem lux&uacute;ria, os l&aacute;bios dele pressionam o pesco&ccedil;o dela,</p>
<p>O pai segura seu filho crescido ou n&atilde;o em seus bra&ccedil;os com imensur&aacute;vel amor e o filho segura o pai em seus bra&ccedil;os com imensur&aacute;vel amor,</p>
<p>O cabelo branco da m&atilde;e brilha no pulso branco da filha,</p>
<p>A respira&ccedil;&atilde;o do menino acompanha a respira&ccedil;&atilde;o do homem, o amigo &eacute; abra&ccedil;ado pelo amigo,</p>
<p>O erudito beija o professor e o professor beija o erudito, o injusti&ccedil;ado &eacute; corrigido,</p>
<p>O chamado do escravo &eacute; uno com o chamado do senhor e o senhor sa&uacute;da o escravo,</p>
<p>O r&eacute;u avan&ccedil;a da pris&atilde;o, o insano torna-se s&atilde;o, o sofrimento das pessoas doentes &eacute; aliviado,</p>
<p>Os suores e febres param, a garganta que era insalubre est&aacute; s&atilde;, os pulm&otilde;es do consumido s&atilde;o recuperados, a pobre cabe&ccedil;a aflita est&aacute; livre,</p>
<p>As articula&ccedil;&otilde;es do reum&aacute;tico se movem t&atilde;o suavemente quanto antes e mais suaves que nunca,</p>
<p>Supress&otilde;es e passagens se abrem, os paralisados tornam-se flex&iacute;veis,</p>
<p>Os inchados e convulsos e congestionados despertam em condi&ccedil;&atilde;o,</p>
<p>Eles passam o revigoramento da noite e a qu&iacute;mica da noite e despertam.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Eu tamb&eacute;m passo da noite,</p>
<p>Eu me afasto um pouco Oh noite, mas retorno a ti de novo e te amo.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Por que devia eu ter medo de confiar-me a ti?</p>
<p>N&atilde;o tenho medo, fui bem apresentado bem por ti,</p>
<p>Amo o rico dia corrente, mas n&atilde;o abandono em quem me deitei por tanto tempo,</p>
<p>N&atilde;o sei como eu vim de ti e n&atilde;o sei aonde vou contigo, mas sei que vim bem e irei bem.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Pararei apenas um tempo com a noite, e levantarei cedo,</p>
<p>Passarei devidamente o dia Oh minha m&atilde;e e devidamente retornarei a ti.</p>
<hr size="1" /><a href="file:///D:/Meus%20Documentos/TRADU%C3%87%C3%95ES%20DOUTORADO/TEXTOS%20PARA%20PUBLICAR/OS%20POEMAS%20DA%20TESE.doc#_ftnref1">[1]</a> N&atilde;o h&aacute; um erro de digita&ccedil;&atilde;o; a pessoa assassinada &eacute; conseq&uuml;entemente do sexo masculino.</p>
<p>***</p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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		<title>Breve nota ao poema Os Adormecidos</title>
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		<pubDate>Sun, 10 Jan 2010 14:05:52 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gentil</dc:creator>
				<category><![CDATA[31. Os Adormecidos]]></category>
		<category><![CDATA[Os Adormecidos]]></category>
		<category><![CDATA[Sonhos]]></category>

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		<description><![CDATA[O poema Os Adormecidos (“The Sleepers”), inclu&#237;do na primeira edi&#231;&#227;o de Folhas de Relva, a de 1855, descreve a vis&#227;o de Walt Whitman em seu sonho, no qual ele pode ver os sonhos dos outros sonhadores. No entanto, ele tamb&#233;m vagueia durante o dia na luz. Ele est&#225; consciente da luz e da escurid&#227;o, da [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O poema <strong><a title="ir para o poema" href="http://poesiadewhitman.com/os-adormecidos.html" target="_blank">Os Adormecidos</a></strong> (“The Sleepers”), inclu&iacute;do na primeira edi&ccedil;&atilde;o de <em>Folhas de Relva</em>, a de 1855, descreve a vis&atilde;o de Walt Whitman em seu sonho, no qual ele pode ver os sonhos dos outros sonhadores. No entanto, ele tamb&eacute;m vagueia durante o dia na luz. Ele est&aacute; consciente da luz e da escurid&atilde;o, da vida e da morte, e est&aacute; contente com ambos. Ele sempre aceita tudo e todos e n&atilde;o exclui nada.</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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		<title>Passagem para a &#205;ndia</title>
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		<pubDate>Sat, 09 Jan 2010 15:56:35 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gentil</dc:creator>
				<category><![CDATA[29. Passagem para a Índia]]></category>
		<category><![CDATA[Alma]]></category>
		<category><![CDATA[Colombo]]></category>
		<category><![CDATA[Eterno]]></category>
		<category><![CDATA[Passagem para a Índia]]></category>
		<category><![CDATA[Tradução]]></category>

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		<description><![CDATA[Passagem para a &#205;ndia
.
Paisagem mar&#237;tima
1
.
CANTANDO o meu tempo,
Cantando as grandes realiza&#231;&#245;es do presente,
Cantando as fortes e leves obras de engenheiros,
Nossas maravilhas modernas, (as antigas e ponderosas Sete superadas,)
No Velho Mundo o leste o canal de Suez,
O Novo transposto por sua poderosa ferrovia,
Os mares incrustados com eloq&#252;entes cabos gentis;
Por&#233;m primeiro a soar, e sempre saud&#225;vel, o [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>Passagem para a &Iacute;ndia</strong></p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 379px"><a href="http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?picture=seascape&amp;image=2342&amp;large=1" target="_blank"><img class=" " src="http://www.publicdomainpictures.net/pictures/3000/nahled/1068-1238348659Jy6G.jpg" alt="" width="369" height="277" /></a><p class="wp-caption-text">Paisagem mar&iacute;tima</p></div>
<p style="text-align: center;">1</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>CANTANDO o meu tempo,</p>
<p>Cantando as grandes realiza&ccedil;&otilde;es do presente,</p>
<p>Cantando as fortes e leves obras de engenheiros,</p>
<p>Nossas maravilhas modernas, (as antigas e ponderosas Sete superadas,)</p>
<p>No Velho Mundo o leste o canal de Suez,</p>
<p>O Novo transposto por sua poderosa ferrovia,</p>
<p>Os mares incrustados com eloq&uuml;entes cabos gentis;</p>
<p>Por&eacute;m primeiro a soar, e sempre saud&aacute;vel, o chamado contigo Oh alma,</p>
<p>O Passado! o Passado! o Passado!</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>O Passado—o sombrio retrospecto insondado!</p>
<p>O golfo prol&iacute;fico—os adormecidos e as sombras!</p>
<p>O passado—a infinita grandeza do passado!</p>
<p>Pois o que &eacute; o presente afinal sen&atilde;o um crescer do passado?</p>
<p>(Como um proj&eacute;til formado, impelido, ultrapassando uma certa</p>
<p>linha, ainda continua,</p>
<p>Assim o presente, inteiramente formado, impelido pelo passado.)</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">2</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Passagem Oh alma para a &Iacute;ndia!</p>
<p>Clarifica os mitos asi&aacute;ticos, as f&aacute;bulas primitivas.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>N&atilde;o s&oacute; v&oacute;s orgulhosas verdades do mundo,</p>
<p>Nem s&oacute; v&oacute;s fatos da ci&ecirc;ncia moderna,</p>
<p>Mas mitos e f&aacute;bulas antigas, f&aacute;bulas da &Aacute;sia , da &Aacute;frica,</p>
<p>Os longos raios dardejantes do esp&iacute;rito, os sonhos liberados,</p>
<p>As b&iacute;blias e lendas de profundo alcance,</p>
<p>Os ousados enredos dos poetas, as velhas religi&otilde;es;</p>
<p>Oh v&oacute;s templos mais imaculados que l&iacute;rios despejados pelo sol nascente!</p>
<p>Oh v&oacute;s f&aacute;bulas repulsando o conhecido, iludindo a apreens&atilde;o do conhecido, subindo ao c&eacute;u!</p>
<p>Oh v&oacute;s torres altivas e estonteantes, elevadas, rubras como rosas, brunidas a ouro!</p>
<p>Torres de f&aacute;bulas imortais moldadas em sonhos mortais!</p>
<p>Tamb&eacute;m vos recebo de modo completo como aos demais!</p>
<p>Tamb&eacute;m com j&uacute;bilo vos canto.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Passagem para a &Iacute;ndia!</p>
<p>Olha, alma, n&atilde;o v&ecirc;s o prop&oacute;sito de Deus desde o in&iacute;cio?</p>
<p>A terra para ser transposta, conectada por rede,</p>
<p>As ra&ccedil;as, os vizinhos, para casar e ser concedidos em matrim&ocirc;nio,</p>
<p>Os oceanos para ser cruzados, o distante aproximado,</p>
<p>As terras para ser soldadas.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Um louvor novo canto,</p>
<p>V&oacute;s capit&atilde;es, viajantes, exploradores, vosso,</p>
<p>V&oacute;s engenheiros, v&oacute;s arquitetos, maquinistas, vosso,</p>
<p>V&oacute;s, n&atilde;o s&oacute; para com&eacute;rcio ou transporte,</p>
<p>Mas em nome de Deus, e pelo teu bem Oh alma.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">3</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Passagem para a &Iacute;ndia!</p>
<p>V&ecirc; alma para ti de dois quadros vivos,</p>
<p>Vejo em um o canal de Suez iniciado, aberto,</p>
<p>Vejo o cortejo de navios a vapor, Oh Imperadora Eugenia<a href="file:///D:/Meus%20Documentos/TRADU%C3%87%C3%95ES%20DOUTORADO/TEXTOS%20PARA%20PUBLICAR/OS%20POEMAS%20DA%20TESE.doc#_ftn1">[1]</a> conduzindo a vanguarda,</p>
<p>Noto do conv&eacute;s a estranha paisagem, o c&eacute;u puro, a areia plana &agrave; dist&acirc;ncia,</p>
<p>Ultrapasso velozmente os grupos pitorescos, os oper&aacute;rios  agrupados,</p>
<p>As gigantescas m&aacute;quinas de dragagem.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Em um de novo, diferente, (por&eacute;m teu, todo teu, Oh alma, o mesmo)</p>
<p>Vejo em meu pr&oacute;prio continente a ferrovia do Pac&iacute;fico superando cada barreira,</p>
<p>Vejo comboios cont&iacute;nuos rodando ao largo do Rio Platte carregando fretes e passageiros,</p>
<p>Ou&ccedil;o as locomotivas urgindo e rugindo, e o estridente apito a vapor,</p>
<p>Ou&ccedil;o os ecos reverberando pelo mais grandioso panorama do mundo,</p>
<p>Cruzo as plan&iacute;cies de Laramie, noto as rochas em formas grotescas, os montes,</p>
<p>Vejo as abundantes esporas e cebolas bravas, as s&aacute;lvias do deserto, est&eacute;reis e incolores,</p>
<p>Vejo de relance ao longe ou se elevando imediatamente acima de mim as grandes montanhas, vejo o rio Wind e as montanhas Wahsatch,</p>
<p>Vejo a montanha Monumento e o Ninho da &Aacute;guia, ultrapasso o Promont&oacute;rio, ascendo &agrave;s serras Nevadas,</p>
<p>Esquadrinho a nobre montanha Elk e rodeio sua base,</p>
<p>Vejo a cordilheira Humboltd, trilho o vale e cruzo o rio,</p>
<p>Vejo as &aacute;guas claras do lago Tahoe, vejo florestas de pinheiros majestosos,</p>
<p>Ou cruzando o grande deserto, as plan&iacute;cies alcalinas, contemplo encantadoras miragens de &aacute;guas e prados,</p>
<p>Marcando atrav&eacute;s desses e afinal, em duplicadas linhas delgadas,</p>
<p>Transpondo as tr&ecirc;s ou quatro mil milhas de viagem terrestre,</p>
<p>Atando o mar Oriental ao Ocidental,</p>
<p>A estrada entre a Europa e a &Aacute;sia.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>(Ah Genov&ecirc;s teu sonho! teu sonho!</p>
<p>S&eacute;culos ap&oacute;s estares deitado em teu t&uacute;mulo,</p>
<p>O litoral que descobriste confirma teu sonho.)</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">4</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Passagem para a &Iacute;ndia!</p>
<p>Combates de muito capit&atilde;o, contos de muito marinheiro morto,</p>
<p>Sobre meu humor furtando e expandindo isso vem,</p>
<p>Como nuvens e nuvenzinhas no inacess&iacute;vel c&eacute;u.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Em toda a hist&oacute;ria, descendo declives,</p>
<p>Como um regato correndo, afundando agora, e de novo &agrave; superf&iacute;cie ascendendo,</p>
<p>Um pensamento incessante, um fluxo variado—eis que, alma, a ti, tua vis&atilde;o, se elevam,</p>
<p>Os planos, as viagens de novo, as expedi&ccedil;&otilde;es;</p>
<p>De novo Vasco da Gama veleja,</p>
<p>De novo o conhecimento atingido, a b&uacute;ssola do navegador,</p>
<p>Terras encontradas e na&ccedil;&otilde;es nascidas, v&oacute;s nascida Am&eacute;rica,</p>
<p>Para amplo prop&oacute;sito, a longa prova&ccedil;&atilde;o do homem completada,</p>
<p>V&oacute;s redondeza<strong> </strong>do mundo por fim realizada.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">5</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Oh ampla Redondeza, nadando no espa&ccedil;o,</p>
<p>Toda coberta de poder e beleza vis&iacute;veis,</p>
<p>Alterna luz e dia e a prol&iacute;fica escurid&atilde;o espiritual,</p>
<p>Altos cortejos indiz&iacute;veis de sol e lua e incont&aacute;veis estrelas acima,</p>
<p>Abaixo, a relva multiforme e &aacute;guas, animais, montanhas, &aacute;rvores,</p>
<p>Com prop&oacute;sito inescrut&aacute;vel, alguma oculta inten&ccedil;&atilde;o prof&eacute;tica,</p>
<p>Agora pela primeira vez parece que meu pensamento come&ccedil;a a te abarcar.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Dos jardins da &Aacute;sia descendo irradiando,</p>
<p>Ad&atilde;o e Eva aparecem, e ent&atilde;o sua mir&iacute;ade prog&ecirc;nie depois deles,</p>
<p>Errante, ansiosa, curiosa, com irrequietas explora&ccedil;&otilde;es,</p>
<p>Com questionamentos, desnorteada, informe, febril, com cora&ccedil;&otilde;es nunca-felizes,</p>
<p>Com esse incessante refr&atilde;o triste, <em>Por que alma insatisfeita?</em> e <em>Para  onde Oh vida escarninha?</em></p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Ah quem confortar&aacute; estes filhos febris?</p>
<p>Quem justifica estas irrequietas explora&ccedil;&otilde;es?</p>
<p>Quem expressa o segredo da terra impass&iacute;vel?</p>
<p>Quem o vincula a n&oacute;s? o que &eacute; esta Natureza separada t&atilde;o desnatural?</p>
<p>O que &eacute; esta terra para nossas afei&ccedil;&otilde;es? (insens&iacute;vel terra, sem uma vibra&ccedil;&atilde;o que responda &agrave; nossa,</p>
<p>Fria terra, o local de t&uacute;mulos.)</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Por&eacute;m alma tenhas certeza que o primeiro intento permanece, e ser&aacute; realizado,</p>
<p>Talvez mesmo agora o tempo tenha chegado.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Depois que os mares forem todos cruzados, (como parecem j&aacute; cruzados),</p>
<p>Depois que os grandes capit&atilde;es e engenheiros tiverem realizado seu trabalho,</p>
<p>Depois dos nobres inventores, depois dos cientistas, do qu&iacute;mico, geologista, etn&oacute;logo,</p>
<p>Finalmente vir&aacute; o poeta digno desse nome,</p>
<p>O verdadeiro filho de Deus vir&aacute; cantando suas can&ccedil;&otilde;es.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Assim n&atilde;o s&oacute; suas fa&ccedil;anhas Oh viajantes, Oh cientistas e inventores,</p>
<p>ser&atilde;o justificadas,</p>
<p>Todos estes cora&ccedil;&otilde;es de crian&ccedil;as queixosas ser&atilde;o confortados,</p>
<p>Toda afei&ccedil;&atilde;o ser&aacute; completamente retribu&iacute;da, o segredo ser&aacute; contado,</p>
<p>Todas estas separa&ccedil;&otilde;es e lacunas ser&atilde;o encurtadas e seguras e unidas,</p>
<p>A terra inteira, esta fria, impass&iacute;vel e silenciosa terra, ser&aacute; completamente justificada,</p>
<p>A divina Trinitas ser&aacute; gloriosamente realizada e pactada<strong> </strong></p>
<p>pelo verdadeiro filho de Deus, o poeta,</p>
<p>(Ele de fato ultrapassar&aacute; os estreitos e conquistar&aacute; as montanhas,</p>
<p>Dobrar&aacute; o cabo da Boa Esperan&ccedil;a para algum prop&oacute;sito,)</p>
<p>Natureza e Homem n&atilde;o mais estar&atilde;o desunidos e difusos,</p>
<p>O verdadeiro filho de Deus os fundir&aacute; em absoluto.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">6</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Ano em cuja porta escancarada canto,</p>
<p>Ano do prop&oacute;sito cumprido,</p>
<p>Ano do matrim&ocirc;nio de continentes, climas e oceanos!</p>
<p>(N&atilde;o um mero doge de Veneza agora casando o Adri&aacute;tico<a href="file:///D:/Meus%20Documentos/TRADU%C3%87%C3%95ES%20DOUTORADO/TEXTOS%20PARA%20PUBLICAR/OS%20POEMAS%20DA%20TESE.doc#_ftn2">[2]</a>,)</p>
<p>Vejo Oh ano em ti o amplo globo terr&aacute;queo dado e dando tudo,</p>
<p>Europa &agrave; &Aacute;sia, a &Aacute;frica unida, e todos ao Novo Mundo,</p>
<p>As terras, geografias, dan&ccedil;ando diante de ti, segurando uma guirlanda  festiva,</p>
<p>Como noivas e noivos de m&atilde;os dadas.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Passagem para a &Iacute;ndia!</p>
<p>Ares refrescantes do long&iacute;nquo C&aacute;ucaso, confortante ber&ccedil;o do homem,</p>
<p>O rio Eufrates fluindo, o passado iluminado de novo.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>V&ecirc; alma, o retrospecto apresentado,</p>
<p>As antigas terras mais populosas, opulentas da terra,</p>
<p>As correntes do Indo e do Ganges e seus muitos afluentes,</p>
<p>(Eu minhas praias da Am&eacute;rica percorrendo hoje vejo, retomando tudo,)</p>
<p>O conto de Alexandre em suas marchas belicosas repentinamente morrendo,</p>
<p>De um lado a China e do outro a P&eacute;rsia e a Ar&aacute;bia,</p>
<p>Ao sul os grandes mares e a ba&iacute;a de Bengala,</p>
<p>As literaturas fluentes, &eacute;picos tremendos, religi&otilde;es, castas,</p>
<p>O antigo Brahma oculto interminavelmente remoto, o terno e jovem Buda,</p>
<p>Imp&eacute;rios centrais e sulinos e todas as suas posses, possessores,</p>
<p>As guerras de Tamerl&atilde;o, o reino de Aurungzebe,</p>
<p>Os negociantes, regentes, exploradores, Mu&ccedil;ulmanos, Venezianos, Biz&acirc;ncio, os &Aacute;rabes, Portugueses,</p>
<p>Os primeiros viajantes ainda famosos, Marco Polo, Batouta<a href="file:///D:/Meus%20Documentos/TRADU%C3%87%C3%95ES%20DOUTORADO/TEXTOS%20PARA%20PUBLICAR/OS%20POEMAS%20DA%20TESE.doc#_ftn3">[3]</a> o Mouro,</p>
<p>D&uacute;vidas a ser solucionadas, o mapa inc&oacute;gnito, lacunas a ser preenchidas,</p>
<p>O p&eacute; do homem inst&aacute;vel, as m&atilde;os nunca em repouso,</p>
<p>Tu mesma Oh alma que n&atilde;o tolerar&aacute;s um desafio.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Os navegadores medievais se levantam &agrave; minha frente,</p>
<p>O mundo de 1492, com seu empreendimento acordado,</p>
<p>Algo inchando agora na humanidade como a seiva da terra na primavera,</p>
<p>O esplendor crepuscular da cavalaria declinando.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>E quem &eacute;s tu triste espectro?</p>
<p>Gigantesco, vision&aacute;rio, tu mesmo um vision&aacute;rio,</p>
<p>Com membros majestosos e radiantes olhos zelosos,</p>
<p>Difundindo com cada olhar teu um mundo dourado,</p>
<p>Tingindo-o com tons magn&iacute;ficos.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Como o histri&atilde;o principal,</p>
<p>Descendo at&eacute; as luzes da ribalta anda em alguma grande cena de &oacute;pera,</p>
<p>Dominando o resto vejo o Almirante<a href="file:///D:/Meus%20Documentos/TRADU%C3%87%C3%95ES%20DOUTORADO/TEXTOS%20PARA%20PUBLICAR/OS%20POEMAS%20DA%20TESE.doc#_ftn4">[4]</a> em pessoa,</p>
<p>(O tipo de coragem, a&ccedil;&atilde;o, f&eacute; que se v&ecirc; na Hist&oacute;ria,)</p>
<p>Vede-o navegar de Palos conduzindo sua pequena frota,</p>
<p>Sua viagem vede, seu retorno, sua grande fama,</p>
<p>Seus infort&uacute;nios, caluniadores, vede-o prisioneiro, acorrentado,</p>
<p>Vede seu abatimento, pobreza, morte.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>(Curioso no tempo me posto, notando os esfor&ccedil;os de her&oacute;is,</p>
<p>A dila&ccedil;&atilde;o &eacute; longa? amarga &eacute; a difama&ccedil;&atilde;o, pobreza, morte?</p>
<p>Jaz a semente despreocupada por s&eacute;culos no solo? v&ecirc;, para a ocasi&atilde;o certa de Deus,</p>
<p>Ascendendo &agrave; noite, ela brota, floresce,</p>
<p>E enche a terra de uso e beleza.)</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">7</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Passagem deveras Oh alma ao pensamento primevo,</p>
<p>N&atilde;o s&oacute; terras e mares, teu pr&oacute;prio claro frescor,</p>
<p>A jovem maturidade de ninhada e flor,</p>
<p>A reinos de b&iacute;blias brotantes.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Oh Alma, irrepressiva, eu contigo e tu comigo,</p>
<p>Tua circunavega&ccedil;&atilde;o do mundo come&ccedil;a,</p>
<p>Do homem, a viagem do retorno de sua mente,</p>
<p>Ao precoce para&iacute;so da raz&atilde;o,</p>
<p>De volta, de volta ao nascimento da sabedoria, a intui&ccedil;&otilde;es inocentes,</p>
<p>De novo com justa cria&ccedil;&atilde;o.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">8</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Oh n&atilde;o podemos mais esperar,</p>
<p>Tamb&eacute;m navegamos Oh alma,</p>
<p>Alegres tamb&eacute;m nos lan&ccedil;amos em mares sem rastros,</p>
<p>Destemidos navegamos por costas desconhecidas em ondas de &ecirc;xtase,</p>
<p>Entre os ventos flutuantes, (tu me apertando a ti, eu te apertando a mim, Oh alma,)</p>
<p>Cantarolando livre, cantando nossa can&ccedil;&atilde;o de Deus,</p>
<p>Entoando nosso canto de agrad&aacute;vel explora&ccedil;&atilde;o.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Com riso e muitos beijos,</p>
<p>(Deixa outros deplorar, deixa outros lamentar pecado; remorso, humilha&ccedil;&atilde;o,)</p>
<p>Oh alma tu me agradas, eu a ti.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Ah mais que qualquer padre Oh alma tamb&eacute;m cremos em Deus,</p>
<p>Mas com o mist&eacute;rio de Deus n&atilde;o ousamos flertar.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Oh alma tu me agradas, eu a ti,</p>
<p>Navegando nestes mares ou nas colinas, ou despertando &agrave; noite,</p>
<p>Pensamentos, pensamentos silenciosos, de Tempo e Espa&ccedil;o e Morte, como &aacute;guas fluindo,</p>
<p>Guia-me de fato como por infinitas regi&otilde;es,</p>
<p>Cujo ar respiro, cujas ondula&ccedil;&otilde;es ou&ccedil;o, lava-me totalmente,</p>
<p>Banha-me Oh Deus em ti, subindo a ti,</p>
<p>Eu e minha alma a vaguear ao teu alcance.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Oh Tu transcendente,</p>
<p>Sem nome, a fibra e o f&ocirc;lego,</p>
<p>Luz da luz, produzindo universos, tu centro deles,</p>
<p>Tu centro mais poderoso do verdadeiro, do bem, do amoroso,</p>
<p>Tu fonte moral, espiritual—fonte do afeto—tu reservat&oacute;rio,</p>
<p>(Oh minha alma meditativa—Oh sede insatisfeita—n&atilde;o esperaste a&iacute;?</p>
<p>N&atilde;o esperas por acaso por n&oacute;s em algum lugar por a&iacute; o Camarada perfeito?)</p>
<p>Tu pulso—tu motivo das estrelas, s&oacute;is, sistemas,</p>
<p>Que, circulando, se movem em ordem, seguros, harmoniosos,</p>
<p>Atrav&eacute;s das informes vastid&otilde;es do espa&ccedil;o,</p>
<p>Como eu devia pensar, como haurir um &uacute;nico hausto, como falar, se,</p>
<p>de mim,</p>
<p>N&atilde;o pude lan&ccedil;ar, a esses, universos superiores?</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Rapidamente me encolho ao pensar em Deus,</p>
<p>Na Natureza e suas maravilhas, Tempo e Espa&ccedil;o e Morte,</p>
<p>Mas que eu, virando, chamo a ti Oh alma, tu Eu real,</p>
<p>E v&ecirc;, tu gentilmente dominas  os orbes,</p>
<p>Tu emparelhas com o Tempo, sorris contente pra Morte,</p>
<p>E preenches, expandes bastante as vastid&otilde;es do Espa&ccedil;o.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Maior que estrelas ou s&oacute;is,</p>
<p>Saltando Oh alma prossegues tua jornada;</p>
<p>Que amor a n&atilde;o ser o nosso poderia ampliar mais?</p>
<p>Que aspira&ccedil;&otilde;es, desejos, superariam os nossos Oh alma?</p>
<p>Que sonhos do ideal? que planos de pureza, perfei&ccedil;&atilde;o, for&ccedil;a?</p>
<p>Que vontade alegre pelo bem dos outros desistir de tudo?</p>
<p>Pelo bem dos outros sofrer tudo?</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Computando adiante Oh alma, quando tu, o tempo alcan&ccedil;ado,</p>
<p>Os mares todos cruzados, resistindo aos cabos, a viagem finda,</p>
<p>Rodeada, lidas, encaras Deus, submetes, a meta atingida,</p>
<p>Como se preenchida de amizade, amor completo, o Irm&atilde;o Mais velho encontrado,</p>
<p>O Mais Jovem se derrete em afeto em seus bra&ccedil;os.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">9</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Passagem para mais que a &Iacute;ndia!</p>
<p>Tuas asas est&atilde;o emplumadas realmente para tais v&ocirc;os distantes?</p>
<p>Oh alma, viajas de fato em viagens como essas?</p>
<p>Diverte-te em &aacute;guas como essas?</p>
<p>Soas abaixo do S&acirc;nscrito e dos Vedas?</p>
<p>Ent&atilde;o tenhas teu &acirc;nimo liberado.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Passagem para ti, tuas praias, os antigos enigmas ferozes!</p>
<p>Passagem para ti, para dom&iacute;nio de ti, os problemas estrangulantes!</p>
<p>Tu, dispersa com os destro&ccedil;os de esqueletos que, vivendo, nunca te alcan&ccedil;aram.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Passagem para mais que a &Iacute;ndia!</p>
<p>Oh segredo da terra e c&eacute;u!</p>
<p>De v&oacute;s Oh &aacute;guas do mar! Oh riachos sinuosos e rios!</p>
<p>De v&oacute;s Oh bosques e campos! de v&oacute;s fortes montanhas de minha terra!</p>
<p>De v&oacute;s Oh pradarias! de v&oacute;s cinzentas rochas!</p>
<p>Oh manh&atilde; vermelha! Oh nuvens! Oh chuva e neves!</p>
<p>Oh dia e noite, passagem para v&oacute;s!</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Oh sol e lua e v&oacute;s todas estrelas! S&iacute;rius e J&uacute;piter!</p>
<p>Passagem para v&oacute;s!</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Passagem, passagem imediata! o sangue queima em minhas veias!</p>
<p>Fora Oh alma! i&ccedil;a a &acirc;ncora imediatamente!</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Corta as amarras—puxa pra fora—treme toda vela!</p>
<p>N&atilde;o ficamos aqui bastante tempo como &aacute;rvores no ch&atilde;o?</p>
<p>N&atilde;o rastejamos aqui bastante tempo, comendo e bebendo feito meros brutos?</p>
<p>N&atilde;o nos escurecemos e tonteamos bastante tempo com livros?</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Navega adiante—guia somente para &aacute;guas profundas,</p>
<p>Descuidada Oh alma, explorando, eu contigo, e tu comigo,</p>
<p>Porque iremos onde marinheiro n&atilde;o ousou ir ainda,</p>
<p>E arriscaremos o navio, n&oacute;s mesmos e tudo.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Oh minha alma valente!</p>
<p>Oh mais e mais distante navega!</p>
<p>Oh ousado j&uacute;bilo, mas seguro! n&atilde;o s&atilde;o todos eles os mares de Deus?</p>
<p>Oh mais, mais, mais distante navega!</p>
<hr size="1" /><a href="file:///D:/Meus%20Documentos/TRADU%C3%87%C3%95ES%20DOUTORADO/TEXTOS%20PARA%20PUBLICAR/OS%20POEMAS%20DA%20TESE.doc#_ftnref1">[1]</a> Esposa de Napole&atilde;o III, que estava no navio que puxava o desfile de abertura do canal de Suez.</p>
<p><a href="file:///D:/Meus%20Documentos/TRADU%C3%87%C3%95ES%20DOUTORADO/TEXTOS%20PARA%20PUBLICAR/OS%20POEMAS%20DA%20TESE.doc#_ftnref2">[2]</a> Na &eacute;poca de maior poder de Veneza, o doge fazia uma cerim&ocirc;nia anual, casando a cidade com o mar Adri&aacute;tico, jogando nele um anel.</p>
<p><a href="file:///D:/Meus%20Documentos/TRADU%C3%87%C3%95ES%20DOUTORADO/TEXTOS%20PARA%20PUBLICAR/OS%20POEMAS%20DA%20TESE.doc#_ftnref3">[3]</a> Ibn Battuta foi um viajante e explorador berbere que nasceu em Tanger em 1303 e faleceu em 1377.</p>
<p><a href="file:///D:/Meus%20Documentos/TRADU%C3%87%C3%95ES%20DOUTORADO/TEXTOS%20PARA%20PUBLICAR/OS%20POEMAS%20DA%20TESE.doc#_ftnref4">[4]</a> Colombo, que partiu do porto espanhol de Palos em 1492.</p>
<p>***</p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Nota ao poema Passagem para a &#205;ndia</title>
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		<pubDate>Sat, 09 Jan 2010 15:35:05 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gentil</dc:creator>
				<category><![CDATA[29. Passagem para a Índia]]></category>
		<category><![CDATA[01. Folhas de Relva]]></category>
		<category><![CDATA[Alma]]></category>
		<category><![CDATA[Cinema]]></category>
		<category><![CDATA[David Lean]]></category>
		<category><![CDATA[E. M. Foster]]></category>
		<category><![CDATA[Eterno]]></category>
		<category><![CDATA[Passagem para a Índia]]></category>
		<category><![CDATA[Tradução]]></category>

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		<description><![CDATA[
Barco no mar
O poema Passagem para a &#205;ndia (“Passage to India”) foi publicado em 1871. Nele o bardo descreve o prop&#243;sito de Deus, cantado pelo verdadeiro filho de Deus, o poeta. Isto significa que ele n&#227;o est&#225; cantando os materiais de sua Am&#233;rica ou da Terra, ele est&#225; indo al&#233;m da geografia e da cultura, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 268px"><a href="http://www.publicdomainpictures.net/view-image.php?picture=safe-passage&amp;image=1848&amp;large=1" target="_blank"><img class="  " src="http://www.publicdomainpictures.net/pictures/2000/nahled/750-12326888280QKx.jpg" alt="" width="258" height="194" /></a><p class="wp-caption-text">Barco no mar</p></div>
<p style="text-align: justify;">O poema <strong><a title="ir para o poema" href="http://poesiadewhitman.com/passagem-para-a-india.html" target="_blank">Passagem para a &Iacute;ndia</a> </strong>(“Passage to India”) foi publicado em 1871. Nele o bardo descreve o prop&oacute;sito de Deus, cantado pelo verdadeiro filho de Deus, o poeta. Isto significa que ele n&atilde;o est&aacute; cantando os materiais de sua Am&eacute;rica ou da Terra, ele est&aacute; indo al&eacute;m da geografia e da cultura, j&aacute; que percebeu que a terra deve ser conectada inteiramente, em dire&ccedil;&atilde;o ao que &eacute; universal e eterno: a alma, sua divinidade e sua liga&ccedil;&atilde;o com o Criador. Ele inclui nesse movimento as grandes realiza&ccedil;&otilde;es de seu tempo; no entanto, ele est&aacute; navegando muito mais al&eacute;m disso, ele est&aacute; pedindo &agrave; sua alma para navegar “os mares de Deus.” Para quem ler o poema <strong>Sauda&ccedil;&atilde;o ao Mundo</strong> (“Salut au Monde!”), &eacute; poss&iacute;vel notar que <strong>Passagem para a &Iacute;ndia</strong> &eacute; uma continua&ccedil;&atilde;o daquele, mas em um outro grau de consci&ecirc;ncia, passando do material, do que &eacute; visto e f&iacute;sico, ao imaterial, ao invisto e espiritual. Eu n&atilde;o diria metaf&iacute;sico porque o poeta escreveu em uma nota que n&atilde;o h&aacute; nada de filos&oacute;fico sobre <strong>Passagem para a &Iacute;ndia</strong>, porque ele est&aacute; focado em “evolu&ccedil;&atilde;o”, mas n&atilde;o deixa de ser ontol&oacute;gico, pois trata do Ser. Afinal de contas, Whitman se considerava contradit&oacute;rio, assim, n&atilde;o &eacute; incoerente v&ecirc;-lo pelo que ele nega.</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<p style="text-align: justify;">O romance <em>Uma Passagem Para a &Iacute;ndia </em>(<em>A Passage to India</em>), de 1924, do escritor brit&acirc;nico <a title="E. M. Forster" href="http://pt.wikipedia.org/wiki/E._M._Forster">E. M. Forster</a>, teve seu t&iacute;tulo inspirado por este poema de Whitman. O romance foi genialmente adaptado para o cinema por <strong>David Lean</strong> em 1984, com trilha sonora de <strong>Maurice Jarre</strong>.  O filme ganhou dois oscars: de atriz coadjuvante para <strong>Peggy Ashcroft</strong>, e de trilha sonora.</p>
<p style="text-align: justify;">Vejam o trailer original:</p>
<p style="text-align: justify;"><object classid="clsid:d27cdb6e-ae6d-11cf-96b8-444553540000" width="300" height="300" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0"><param name="allowFullScreen" value="true" /><param name="allowscriptaccess" value="always" /><param name="src" value="http://www.youtube.com/v/0yJvteS8uEA&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" /><param name="allowfullscreen" value="true" /><embed type="application/x-shockwave-flash" width="300" height="300" src="http://www.youtube.com/v/0yJvteS8uEA&amp;hl=pt_BR&amp;fs=1&amp;color1=0x234900&amp;color2=0x4e9e00" allowscriptaccess="always" allowfullscreen="true"></embed></object></p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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		</item>
		<item>
		<title>Uma Can&#231;&#227;o da Terra Girante</title>
		<link>http://poesiadewhitman.com/uma-cancao-da-terra-girante.html</link>
		<comments>http://poesiadewhitman.com/uma-cancao-da-terra-girante.html#comments</comments>
		<pubDate>Thu, 07 Jan 2010 15:03:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gentil</dc:creator>
				<category><![CDATA[17. Uma Canção da Terra Girante]]></category>
		<category><![CDATA[Bíblia]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia de Whitman]]></category>
		<category><![CDATA[Terra]]></category>
		<category><![CDATA[Verbo]]></category>

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		<description><![CDATA[Uma Can&#231;&#227;o da Terra Girante
.
A Terra
1
.
Uma can&#231;&#227;o da terra girante, e de palavras concordantes,
Pensaste que aquelas fossem as palavras, aquelas linhas verticais? aquelas curvas, &#226;ngulos, pontos?
N&#227;o, essas n&#227;o s&#227;o as palavras, as palavras substanciais est&#227;o no ch&#227;o e mar,
Est&#227;o no ar, est&#227;o em ti.
.
Pensaste que essas fossem as palavras, esses deliciosos sons das bocas de [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>Uma Can&ccedil;&atilde;o da Terra Girante</strong></p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 344px"><a href="http://www.fws.gov/digitalmedia/cdm4/item_viewer.php?CISOROOT=/natdiglib&amp;CISOPTR=3766&amp;CISOBOX=1&amp;REC=1" target="_blank"><img class=" " src="http://www.fws.gov/digitalmedia/cgi-bin/getimage.exe?CISOROOT=/natdiglib&amp;CISOPTR=3766&amp;DMSCALE=61.24234&amp;DMWIDTH=700&amp;DMHEIGHT=700&amp;DMX=0&amp;DMY=0&amp;DMTEXT=%20earth&amp;REC=1&amp;DMTHUMB=0&amp;DMROTATE=0" alt="" width="334" height="220" /></a><p class="wp-caption-text">A Terra</p></div>
<p style="text-align: center;">1</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Uma can&ccedil;&atilde;o da terra girante, e de palavras concordantes,</p>
<p>Pensaste que aquelas fossem as palavras, aquelas linhas verticais? aquelas curvas, &acirc;ngulos, pontos?</p>
<p>N&atilde;o, essas n&atilde;o s&atilde;o as palavras, as palavras substanciais est&atilde;o no ch&atilde;o e mar,</p>
<p>Est&atilde;o no ar, est&atilde;o em ti.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Pensaste que essas fossem as palavras, esses deliciosos sons das bocas de seus amigos?</p>
<p>N&atilde;o, as palavras reais s&atilde;o mais deliciosas que eles.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Corpos humanos s&atilde;o palavras, mir&iacute;ades de palavras,</p>
<p>(Nos melhores poemas reaparece o corpo, de homem ou de mulher, bem-torneado, natural, alegre,</p>
<p>Toda parte capaz, ativa, receptiva, sem vergonha ou a necessidade de vergonha.)</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Ar, solo, &aacute;gua, fogo—essas s&atilde;o palavras,</p>
<p>Eu mesmo sou uma palavra com elas—minhas qualidades interpenetram com as delas—meu nome &eacute; nada pra elas,</p>
<p>Embora fosse dito nos tr&ecirc;s mil idiomas, o que o ar, a terra, a &aacute;gua, o fogo, saberiam do meu nome?</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Uma presen&ccedil;a saud&aacute;vel, um gesto am&aacute;vel ou imperativo, s&atilde;o palavras, prov&eacute;rbios, significados,</p>
<p>Os encantos que acompanham as meras express&otilde;es de alguns homens e mulheres, s&atilde;o tamb&eacute;m prov&eacute;rbios e significados.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>O artesanato das almas &eacute; feito pelas palavras inaud&iacute;veis da terra,</p>
<p>Os mestres conhecem as palavras da terra e as usam mais que palavras aud&iacute;veis.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Melhoria &eacute; uma das palavras da terra,</p>
<p>A terra n&atilde;o se atrasa nem se apressa,</p>
<p>Tem todos os atributos, crescimentos, efeitos, latentes em si mesma desde o princ&iacute;pio<a href="file:///D:/Meus%20Documentos/TRADU%C3%87%C3%95ES%20DOUTORADO/TEXTOS%20PARA%20PUBLICAR/OS%20POEMAS%20DA%20TESE.doc#_ftn1">[1]</a>,</p>
<p>N&atilde;o &eacute; s&oacute; meio linda, defeitos e excresc&ecirc;ncias mostram tanto quanto perfei&ccedil;&otilde;es.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>A terra n&atilde;o ret&eacute;m; &eacute; generosa o bastante,</p>
<p>As verdades da terra aguardam continuamente, tamb&eacute;m n&atilde;o s&atilde;o t&atilde;o ocultas,</p>
<p>S&atilde;o tranq&uuml;ilas, sutis, intransmiss&iacute;veis por impress&atilde;o,</p>
<p>S&atilde;o imbu&iacute;das de todas as coisas que se transmitem de boa vontade,</p>
<p>Transmitindo um sentimento e convite, eu emito e emito,</p>
<p>N&atilde;o falo, por&eacute;m se n&atilde;o me ouves que proveito tenho pra ti?</p>
<p>Suportar, melhorar, faltando estes que proveito tenho?</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>(Accouche! accouchez!<a href="file:///D:/Meus%20Documentos/TRADU%C3%87%C3%95ES%20DOUTORADO/TEXTOS%20PARA%20PUBLICAR/OS%20POEMAS%20DA%20TESE.doc#_ftn2">[2]</a></p>
<p>Estragar&aacute;s teu pr&oacute;prio fruto em ti a&iacute;?</p>
<p>Te agachar&aacute;s e sufocar&aacute;s a&iacute;?)</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>A terra n&atilde;o discute,</p>
<p>N&atilde;o &eacute; pat&eacute;tica, n&atilde;o tem preparativos,</p>
<p>N&atilde;o brada, se apressa, persuade, amea&ccedil;a, promete,</p>
<p>N&atilde;o faz discrimina&ccedil;&atilde;o, n&atilde;o tem falhas conceb&iacute;veis,</p>
<p>Nada fecha, nada recusa, n&atilde;o exclui nada,</p>
<p>De todos os poderes, objetos, estados, ela informa, n&atilde;o exclui nenhum.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>A terra n&atilde;o se exibe nem recusa se exibir, frui calma abaixo,</p>
<p>Abaixo os sons ostensivos, o coro augusto de her&oacute;is, a lam&uacute;ria de escravos,</p>
<p>Persuas&otilde;es de amantes, maldi&ccedil;&otilde;es, arquejos dos moribundos, risada de jovens, sotaques de vendedores,</p>
<p>Abaixo estas palavras fruitivas que nunca falham.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>A seus filhos as palavras da grande m&atilde;e muda eloq&uuml;ente nunca falham,</p>
<p>As verdadeiras palavras n&atilde;o falham, pois movimento n&atilde;o falha e reflexo n&atilde;o falha,</p>
<p>Tamb&eacute;m o dia e a noite n&atilde;o falham e a viagem que buscamos n&atilde;o falha.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Das irm&atilde;s intermin&aacute;veis,</p>
<p>Dos cotillons<a href="file:///D:/Meus%20Documentos/TRADU%C3%87%C3%95ES%20DOUTORADO/TEXTOS%20PARA%20PUBLICAR/OS%20POEMAS%20DA%20TESE.doc#_ftn3">[3]</a> incessantes de irm&atilde;s,</p>
<p>Das irm&atilde;s centr&iacute;petas e centr&iacute;fugas, das irm&atilde;s mais velhas e mais jovens,</p>
<p>A linda irm&atilde; que conhecemos continua a dan&ccedil;ar com as demais.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Com suas amplas costas voltadas a todo observador,</p>
<p>Com as fascina&ccedil;&otilde;es da juventude e as equivalentes fascina&ccedil;&otilde;es da idade,</p>
<p>Senta ela a quem tamb&eacute;m amo como os demais, senta serena,</p>
<p>Segurando em sua m&atilde;o o que tem o car&aacute;ter de um espelho, enquanto seus olhos se afastam dele,</p>
<p>Relanceiam quando ela senta, convidando a ningu&eacute;m, negando a ningu&eacute;m,</p>
<p>Segurando um espelho dia e noite incansavelmente diante do pr&oacute;prio rosto.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Vistas de perto ou vistas &agrave; dist&acirc;ncia,</p>
<p>Pontualmente as vinte e quatro aparecem em p&uacute;blico todo dia,</p>
<p>Pontualmente se aproximam e passam com seus companheiros ou um companheiro,</p>
<p>N&atilde;o olhando de semblantes pr&oacute;prios, mas dos semblantes daqueles que est&atilde;o com elas,</p>
<p>Dos semblantes de crian&ccedil;as ou mulheres ou do semblante masculino,</p>
<p>Dos semblantes abertos de animais ou de coisas inanimadas,</p>
<p>Da paisagem ou &aacute;guas ou da apari&ccedil;&atilde;o primorosa do c&eacute;u,</p>
<p>De nossos semblantes, meu e vosso, fielmente os devolvendo,</p>
<p>Todo dia em p&uacute;blico aparecendo sem falta, mas nunca duas vezes com os mesmos companheiros.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Abra&ccedil;ando o homem, abra&ccedil;ando tudo, avan&ccedil;am os trezentos e sessenta e cinco irresistivelmente ao redor do sol;</p>
<p>Abra&ccedil;ando tudo, acalmando, apoiando, seguem perto trezentos e sessenta e cinco ramifica&ccedil;&otilde;es dos primeiros, certas e necess&aacute;rias como eles.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Rolando regularmente, nada temendo,</p>
<p>Luz do sol, tormenta, frio, calor, sempre suportando, passando, carregando,</p>
<p>A realiza&ccedil;&atilde;o e determina&ccedil;&atilde;o da alma ainda herdando,</p>
<p>O fluido v&aacute;cuo em volta e &agrave; frente ainda entrando e dividindo,</p>
<p>Nenhum estorvo retardando, nenhuma &acirc;ncora ancorando, em nenhuma rocha se chocando,</p>
<p>R&aacute;pida, alegre, contente, consolada, nada perdendo,</p>
<p>De tudo capaz e pronta a qualquer hora a dar exata conta,</p>
<p>A nave divina singra o mar divino.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">2</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Quem sejas! movimento e reflexo s&atilde;o especialmente para ti,</p>
<p>A nave divina singra o mar divino para ti.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Quem sejas! tu &eacute;s ele ou ela para quem a terra &eacute; s&oacute;lida e l&iacute;quida,</p>
<p>Tu &eacute;s ele ou ela para quem o sol e a lua pendem no c&eacute;u,</p>
<p>Para ningu&eacute;m mais que tu s&atilde;o o presente e o passado,</p>
<p>Para ningu&eacute;m mais que tu &eacute; a imortalidade.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Cada homem para si e cada mulher para si, &eacute; a palavra do passado e presente, e a verdadeira palavra da imortalidade;</p>
<p>Ningu&eacute;m pode adquirir para um outro—ningu&eacute;m,</p>
<p>Ningu&eacute;m pode crescer para um outro—ningu&eacute;m.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>A can&ccedil;&atilde;o &eacute; para o cantor, e volta quase tudo para ele,</p>
<p>O ensino &eacute; para o professor, e volta quase tudo para ele,</p>
<p>O assassinato &eacute; para o assassino, e volta quase tudo para ele,</p>
<p>O roubo &eacute; para o ladr&atilde;o, e volta quase tudo para ele,</p>
<p>O amor &eacute; para o amante, e volta quase tudo para ele,</p>
<p>O dom &eacute; para o doador, e volta quase tudo para ele—n&atilde;o pode falhar,</p>
<p>O discurso &eacute; para o orador, a encena&ccedil;&atilde;o &eacute; para o ator e atriz n&atilde;o para a plat&eacute;ia,</p>
<p>E nenhum homem entende qualquer grandeza ou bondade exceto sua pr&oacute;pria ou a indica&ccedil;&atilde;o de sua pr&oacute;pria.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">3</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Juro que a terra ser&aacute; certamente completa a ele ou ela que for completo,</p>
<p>A terra permanece recortada e quebrada apenas a ele ou ela que permanecer recortado e quebrado.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Juro que n&atilde;o h&aacute; nenhuma grandeza ou poder que n&atilde;o emulem os da terra,</p>
<p>N&atilde;o pode haver nenhuma teoria de import&acirc;ncia a menos que ela corrobore a teoria da terra,</p>
<p>Nenhuma pol&iacute;tica, can&ccedil;&atilde;o, religi&atilde;o, comportamento, ou outra coisa, &eacute; de import&acirc;ncia, a menos que se compare com a amplitude da terra,</p>
<p>A menos que encare a exatid&atilde;o, vitalidade, imparcialidade, retid&atilde;o da terra.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Juro que come&ccedil;o a ver o amor com mais doces espasmos que aquele que corresponde amor,</p>
<p>&Eacute; aquele que se cont&eacute;m, que nunca convida e nunca recusa.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Juro que come&ccedil;o a ver pouco ou nada em palavras aud&iacute;veis,</p>
<p>Tudo se funde para a apresenta&ccedil;&atilde;o dos significados n&atilde;o ditos da terra,</p>
<p>Em dire&ccedil;&atilde;o &agrave;quele que canta as can&ccedil;&otilde;es do corpo e das verdades da terra,</p>
<p>Em dire&ccedil;&atilde;o &agrave;quele que faz os dicion&aacute;rios de palavras que a impress&atilde;o n&atilde;o pode tocar.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Juro que vejo o que &eacute; melhor do que contar o melhor,</p>
<p>&Eacute; sempre manter o melhor inaudito.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Quando empreendo contar o melhor descubro que n&atilde;o posso,</p>
<p>Minha l&iacute;ngua &eacute; ineficaz em suas bases,</p>
<p>Minha respira&ccedil;&atilde;o n&atilde;o ser&aacute; obediente a seus &oacute;rg&atilde;os,</p>
<p>Eu me torno um homem mudo.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>O melhor da terra n&atilde;o pode ser contado de qualquer forma, tudo ou qualquer coisa &eacute; melhor,</p>
<p>N&atilde;o &eacute; o que antecipaste, &eacute; mais barato, mais f&aacute;cil, mais pr&oacute;ximo,</p>
<p>As coisas n&atilde;o s&atilde;o dispensadas dos lugares que tinham antes,</p>
<p>A terra &eacute; t&atilde;o positiva e direta quanto era antes,</p>
<p>Fatos, religi&otilde;es, melhorias, pol&iacute;tica, neg&oacute;cios, s&atilde;o t&atilde;o reais quanto antes,</p>
<p>Mas a alma tamb&eacute;m &eacute; real, ela tamb&eacute;m &eacute; positiva e direta,</p>
<p>Nenhum racioc&iacute;nio, nenhuma prova a estabeleceu,</p>
<p>Crescimento ineg&aacute;vel a estabeleceu.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">4</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Estes para ecoar os tons das almas e as frases das almas,</p>
<p>(Se eles n&atilde;o ecoassem as frases das almas o que seriam eles ent&atilde;o?</p>
<p>Se eles n&atilde;o tivessem refer&ecirc;ncia a ti em especial o que seriam eles ent&atilde;o?)</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Juro que nunca doravante terei algo a ver com a f&eacute; que conta o melhor,</p>
<p>Terei a ver s&oacute; com aquela f&eacute; que deixa o melhor inaudito.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Falai, falantes! cantai, cantores!</p>
<p>Sondai! moldai! empilhai as palavras da terra!</p>
<p>Trabalhai, era ap&oacute;s era, nada ser&aacute; perdido,</p>
<p>Pode ter que esperar muito, mas entrar&aacute; certamente em uso,</p>
<p>Quando os materiais estiverem todos preparados e prontos, os arquitetos aparecer&atilde;o.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Juro que os arquitetos aparecer&atilde;o sem falta,</p>
<p>Vos juro que eles vos entender&atilde;o e justificar&atilde;o,</p>
<p>O maior entre eles ser&aacute; aquele que vos conhece melhor, e inclui tudo e &eacute; fiel a tudo,</p>
<p>Ele e os demais n&atilde;o vos esquecer&atilde;o, eles perceber&atilde;o que v&oacute;s n&atilde;o sois um tiquinho menos que eles,</p>
<p>V&oacute;s sereis plenamente glorificados neles.</p>
<p><strong> </strong></p>
<hr size="1" /><a href="file:///D:/Meus%20Documentos/TRADU%C3%87%C3%95ES%20DOUTORADO/TEXTOS%20PARA%20PUBLICAR/OS%20POEMAS%20DA%20TESE.doc#_ftnref1">[1]</a> Refer&ecirc;ncia b&iacute;blica, que no princ&iacute;pio era o Verbo (Logos; em ingl&ecirc;s, “Word”), e o Verbo se fez carne, isto &eacute;, mat&eacute;ria.</p>
<p><a href="file:///D:/Meus%20Documentos/TRADU%C3%87%C3%95ES%20DOUTORADO/TEXTOS%20PARA%20PUBLICAR/OS%20POEMAS%20DA%20TESE.doc#_ftnref2">[2]</a> A forma correta &eacute; “Accouch&eacute;e! accouchez!”, ou seja, “Gr&aacute;vida! d&ecirc; &agrave; luz!”.</p>
<p><a href="file:///D:/Meus%20Documentos/TRADU%C3%87%C3%95ES%20DOUTORADO/TEXTOS%20PARA%20PUBLICAR/OS%20POEMAS%20DA%20TESE.doc#_ftnref3">[3]</a> Cotilh&atilde;o, cotilh&otilde;es: &eacute; uma antiga dan&ccedil;a de muitos pares, entremeada de v&aacute;rias m&uacute;sicas e distribui&ccedil;&atilde;o de brindes, que era utilizada para terminar um baile. Whitman se refere aqui a estrelas e planetas, incluindo-se a&iacute; a Terra.</p>
<p>***</p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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		<title>Introdu&#231;&#227;o a Uma Can&#231;&#227;o da Terra Girante</title>
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		<pubDate>Thu, 07 Jan 2010 14:56:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gentil</dc:creator>
				<category><![CDATA[17. Uma Canção da Terra Girante]]></category>
		<category><![CDATA[Evangelho de João]]></category>
		<category><![CDATA[Poesia de Whitman]]></category>
		<category><![CDATA[Terra]]></category>

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		<description><![CDATA[
Estamos todos juntos aqui
O poema Uma Can&#231;&#227;o da Terra Girante (“A Song of the Rolling Earth”, 1856) trata da natureza, da terra, do Verbo, conforme est&#225; na B&#237;blia, por exemplo, no Evangelho de Jo&#227;o, 1:1, O Verbo Feito Carne: “No in&#237;cio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 303px"><a href="http://www.fws.gov/digitalmedia/cdm4/item_viewer.php?CISOROOT=/natdiglib&amp;CISOPTR=2319&amp;CISOBOX=1&amp;REC=12" target="_blank"><img class="  " src="http://www.fws.gov/digitalmedia/cgi-bin/getimage.exe?CISOROOT=/natdiglib&amp;CISOPTR=2319&amp;DMSCALE=19.05799&amp;DMWIDTH=700&amp;DMHEIGHT=700&amp;DMX=0&amp;DMY=0&amp;DMTEXT=%20earth&amp;REC=12&amp;DMTHUMB=0&amp;DMROTATE=0" alt="" width="293" height="192" /></a><p class="wp-caption-text">Estamos todos juntos aqui</p></div>
<p style="text-align: justify;">O poema <strong><a title="ir para o poema" href="http://poesiadewhitman.com/uma-cancao-da-terra-girante.html" target="_blank">Uma Can&ccedil;&atilde;o da Terra Girante</a></strong> (“A Song of the Rolling Earth”, 1856) trata da natureza, da terra, do Verbo, conforme est&aacute; na B&iacute;blia, por exemplo, no Evangelho de Jo&atilde;o, 1:1, <strong>O Verbo Feito Carne</strong>: “No in&iacute;cio era o Verbo, e o Verbo estava com Deus, e o Verbo era Deus.” O Verbo feito Carne &eacute; o Verbo que cria, o Verbo que se torna mat&eacute;ria s&oacute;lida. Isto &eacute; o que Whitman canta neste poema, que as palavras reais s&atilde;o os corpos e as almas da humanidade, como podemos j&aacute; na primeira se&ccedil;&atilde;o desta can&ccedil;&atilde;o.</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
<div style='clear:both'></div>]]></content:encoded>
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		<title>Can&#231;&#227;o da Sequ&#243;ia</title>
		<link>http://poesiadewhitman.com/cancao-da-sequoia.html</link>
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		<pubDate>Wed, 06 Jan 2010 23:03:29 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gentil</dc:creator>
				<category><![CDATA[15. Canção da Sequóia]]></category>
		<category><![CDATA[Canção da Sequoia]]></category>

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		<description><![CDATA[Can&#231;&#227;o da Sequ&#243;ia
.
Dr&#237;ade
 
1
.
 
Uma can&#231;&#227;o da Calif&#243;rnia,
Uma profecia e dissimula&#231;&#227;o, um pensamento t&#227;o impalp&#225;vel para respirar quanto o ar,
Um coro de dr&#237;ades, desfalecendo, partindo, ou hamadr&#237;ades partindo,
Uma voz murmurante, decisiva, gigante, desde a terra e c&#233;u,
Voz de uma poderosa &#225;rvore moribunda na densa floresta de sequ&#243;ia.
 
Adeus meus irm&#227;os, 
Adeus Oh terra e c&#233;u, [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;"><strong>Can&ccedil;&atilde;o da Sequ&oacute;ia</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #ffffff;">.</span></strong></p>
<div class="wp-caption aligncenter" style="width: 239px"><a href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0f/Dryad11.jpg" target="_blank"><img class=" " src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/0/0f/Dryad11.jpg" alt="" width="229" height="540" /></a><p class="wp-caption-text">Dr&iacute;ade</p></div>
<p><strong> </strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong>1</strong></p>
<p style="text-align: center;"><strong><span style="color: #ffffff;">.</span></strong></p>
<p><strong> </strong></p>
<p>Uma can&ccedil;&atilde;o da Calif&oacute;rnia,</p>
<p>Uma profecia e dissimula&ccedil;&atilde;o, um pensamento t&atilde;o impalp&aacute;vel para respirar quanto o ar,</p>
<p>Um coro de dr&iacute;ades, desfalecendo, partindo, ou hamadr&iacute;ades partindo,</p>
<p>Uma voz murmurante, decisiva, gigante, desde a terra e c&eacute;u,</p>
<p>Voz de uma poderosa &aacute;rvore moribunda na densa floresta de sequ&oacute;ia.</p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Adeus meus irm&atilde;os, </em></p>
<p><em>Adeus Oh terra e c&eacute;u, adeus a v&oacute;s &aacute;guas vizinhas, </em></p>
<p><em>Meu tempo findou, meu prazo chegou,</em></p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Pelo litoral norte,</p>
<p>Um pouco afastado da praia rodeada de rochas e cavernas,</p>
<p>No ar salino do mar no condado de Mendocino,</p>
<p>Com as vagas como base e acompanhamento baixo e rouco,</p>
<p>Com crepitantes golpes de machados soando musicalmente acionados por bra&ccedil;os fortes,</p>
<p>Fendida fundo pelas l&iacute;nguas afiadas dos machados, l&aacute; na floresta densa de sequ&oacute;ia,</p>
<p>Ouvi a poderosa &aacute;rvore cantando seu canto de morte.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Os cortadores n&atilde;o ouviram, as cho&ccedil;as e cantigas do acampamento n&atilde;o ecoaram,</p>
<p>Os carreteiros de ouvido apurado e os carregadores de corrente e macaco de rosca n&atilde;o ouviram,</p>
<p>Quando os esp&iacute;ritos da floresta vieram de seus ref&uacute;gios de mil anos para unir-se ao refr&atilde;o,</p>
<p>Mas em minha alma eu ouvi claramente.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Murmurando desde sua mir&iacute;ade de folhas,</p>
<p>Do seu altivo topo se erguendo a duzentos p&eacute;s de altura,</p>
<p>De seu tronco robusto e membros, de sua casca espessa,</p>
<p>Aquele canto das esta&ccedil;&otilde;es e tempo, canto n&atilde;o s&oacute; do passado mas do futuro.</p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Tu minha vida inarrada, </em></p>
<p><em>E todos v&oacute;s vener&aacute;veis e inocentes j&uacute;bilos, </em></p>
<p><em>Minha vida resistente e perene com j&uacute;bilos em meio &agrave; chuva e muitos s&oacute;is de ver&atilde;o, </em></p>
<p><em>E as brancas neves e noite e os ventos bravios; </em></p>
<p><em>Ah os grandes j&uacute;bilos &aacute;speros pacientes, os fortes j&uacute;bilos de minha alma impensados pelo homem, </em></p>
<p><em>(Pois saibas que carrego a alma adequada a mim, tamb&eacute;m tenho consci&ecirc;ncia, identidade, </em></p>
<p><em>E todas as pedras e montanhas t&ecirc;m, e toda a terra,) </em></p>
<p><em>J&uacute;bilos da vida adequados a mim e meus irm&atilde;os, </em></p>
<p><em>Nosso tempo, nosso prazo chegou. </em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Nem nos rendemos tristemente majestosos irm&atilde;os, </em></p>
<p><em>N&oacute;s que preenchemos grandiosamente nosso tempo; </em></p>
<p><em>Com o calmo contentamento da Natureza, com enorme deleite t&aacute;cito, </em></p>
<p><em>N&oacute;s acolhemos o que forjamos no passado, </em></p>
<p><em>E deixamos o campo para eles. </em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Para eles previstos h&aacute; tempos, </em></p>
<p><em>Para uma ra&ccedil;a mais soberba, para eles tamb&eacute;m grandiosamente preencher seu tempo, </em></p>
<p><em>Por eles abdicamos, neles n&oacute;s mesmos v&oacute;s reis da floresta! </em></p>
<p><em>Neles estes c&eacute;us e ares, estes picos de montanhas, Shasta, Nevadas, </em></p>
<p><em>Estes enormes penhascos escarpados, esta amplid&atilde;o, estes vales, Yosemite distante, </em></p>
<p><em>Para neles ser absorvidos, assimilados. </em></p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Ent&atilde;o a uma tens&atilde;o mais elevada,</p>
<p>Ainda mais orgulhoso, mais ext&aacute;tico se ergueu o canto,</p>
<p>Como se os herdeiros, as deidades do Oeste,</p>
<p>Acompanhando com l&iacute;ngua magistral tomassem parte.</p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Nem p&aacute;lidas dos fetiches da &Aacute;sia, </em></p>
<p><em>Nem vermelhas do antigo matadouro din&aacute;stico da Europa, </em></p>
<p><em>(&Aacute;rea de tramas assassinas de tronos, ainda com sobra do cheiro de guerras e pat&iacute;bulos em todos os lugares,) </em></p>
<p><em>Mas vindas dos longos e inofensivos estertores da Natureza, constru&iacute;das pacificamente da&iacute;, </em></p>
<p><em>Estas terras virgens, terras da costa Ocidental, </em></p>
<p><em>Para o novo homem culminante, pra ti, o imp&eacute;rio novo, </em></p>
<p><em>Tu h&aacute; tempos prometido, empenhamos, dedicamos. </em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>V&oacute;s profundas voli&ccedil;&otilde;es ocultas, </em></p>
<p><em>Tu masculinidade espiritual m&eacute;dia, prop&oacute;sito de tudo, pairando em ti mesma, concedendo n&atilde;o tomando lei, </em></p>
<p><em>Tu divina feminidade, senhora e fonte de tudo, origem de vida e amor e o que vem de vida e amor, </em></p>
<p><em>Tu ess&ecirc;ncia moral invis&iacute;vel de todos os vastos materiais da Am&eacute;rica, </em></p>
<p><em> (era ap&oacute;s era trabalhando na morte como na vida,) </em></p>
<p><em>Tu que, &agrave;s vezes conhecido, com mais freq&uuml;&ecirc;ncia desconhecido, realmente forma e modela o Novo Mundo, ajustando-o ao Tempo e Espa&ccedil;o, </em></p>
<p><em>Tu vontade nacional escondida estendida em teus abismos, oculta mas sempre alerta, </em></p>
<p><em>V&oacute;s prop&oacute;sitos passados e presentes tenazmente perseguidos, talvez inconscientes de v&oacute;s mesmos, </em></p>
<p><em>Inabalados por todos os erros fugazes, perturba&ccedil;&otilde;es da superf&iacute;cie; </em></p>
<p><em>V&oacute;s germes vitais, universais, imortais, sob todos os credos, artes, estatutos, literaturas, </em></p>
<p><em>Aqui constru&iacute;s vossos lares para sempre, estabele&ccedil;am-se aqui, estas &aacute;reas inteiras, terras da costa Ocidental, </em></p>
<p><em>Nos empenhamos, dedicamos a v&oacute;s. </em></p>
<p><em> </em></p>
<p><em>Pois vosso homem, vossa ra&ccedil;a caracter&iacute;stica, </em></p>
<p><em>Aqui pode ele crescer &aacute;rduo, doce, gigantesco, aqui se elevar proporcional &agrave; Natureza, </em></p>
<p><em>Aqui galgar os puros espa&ccedil;os vastos inconfinados, irreprimidos por parede ou telhado, </em></p>
<p><em>Aqui rir com procela ou sol, aqui j&uacute;bilo, aqui pacientemente se habituar, </em></p>
<p><em>Aqui ouvir-se, desdobrar-se, (n&atilde;o ouvir f&oacute;rmulas de outros,) aqui preencher seu tempo, </em></p>
<p><em>Propriamente cair, auxiliar, impensado por fim, </em></p>
<p><em>Desaparecer, servir. </em></p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Assim no litoral norte,</p>
<p>No eco dos chamados de carreteiros e das correntes tilintantes, e a m&uacute;sica dos machados de cortadores,</p>
<p>O tronco e os ramos cadentes, o estrondo, o guincho abafado, o gemido,</p>
<p>Tais palavras combinadas da sequ&oacute;ia, como de vozes ext&aacute;ticas, antigas e bulhentas,</p>
<p>As dr&iacute;ades seculares, invis&iacute;veis, cantando, recuando,</p>
<p>Deixando todos seus recessos de florestas e montanhas,</p>
<p>Da cordilheira de Cascade at&eacute; a de Wahsatch, ou Idaho distante, ou Utah,</p>
<p>&Agrave;s deidades do moderno doravante se rendendo,</p>
<p>O coro e as indica&ccedil;&otilde;es, as perpesctivas da humanidade vindoura, as col&ocirc;nias, todos aspectos,</p>
<p>No bosque de Mendocino peguei.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">2</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>O flamejante cortejo dourado da Calif&oacute;rnia,</p>
<p>O drama s&uacute;bito e suntuoso, as terras ensolaradas e amplas,</p>
<p>O trecho longo e variado do estreito de Puget at&eacute; o Colorado meridional,</p>
<p>Terras banhadas em ar mais doce, mais raro, mais saud&aacute;vel, vales e penhascos montanhosos,</p>
<p>Os campos da Natureza h&aacute; muito preparados e incultos, a qu&iacute;mica c&iacute;clica, silenciosa,</p>
<p>As eras lentas e regulares mourejando, a superf&iacute;cie desocupada maturando, os ricos min&eacute;rios se formando abaixo;</p>
<p>Por fim o Novo chegando, assumindo, tomando posse,</p>
<p>Uma ra&ccedil;a pululante e atarefada colonizando e se organizando em todos os lugares,</p>
<p>Navios vindo de todo este redondo mundo, e saindo para o mundo inteiro,</p>
<p>Para a &Iacute;ndia e China e Austr&aacute;lia e as mil ilhas paradis&iacute;acas do Pac&iacute;fico,</p>
<p>Cidades populosas, as &uacute;ltimas inven&ccedil;&otilde;es, os vapores nos rios, as ferrovias, com muita fazenda florescente, com maquinaria,</p>
<p>E l&atilde; e trigo e a uva, e escava&ccedil;&otilde;es de ouro amarelo.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p style="text-align: center;">3</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Mas mais em ti que estas, terras da costa Ocidental,</p>
<p>(Estas s&oacute; os meios, os implementos, o terreno fixo,)</p>
<p>Vejo em ti, certo por vir, a promessa de milhares de anos, at&eacute; agora adiada,</p>
<p>Prometida para ser cumprida, nossa esp&eacute;cie comum, a ra&ccedil;a.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>A nova sociedade por fim, proporcional &agrave; Natureza,</p>
<p>Em teus homens, mais que em teus picos de montanha ou &aacute;rvores robustas imperiais,</p>
<p>Na mulher mais, muito mais, que todo teu ouro ou videiras, ou mesmo o ar vital.</p>
<p><span style="color: #ffffff;">.</span></p>
<p>Rec&eacute;m vindo, a um novo mundo de fato, por&eacute;m h&aacute; muito preparado,</p>
<p>Vejo o g&ecirc;nio do moderno, filho do real e ideal,</p>
<p>Desbravando o territ&oacute;rio para a ampla humanidade, a verdadeira Am&eacute;rica, herdeira de t&atilde;o grandioso passado,</p>
<p>Para construir um futuro mais grandioso.</p>
<p>***</p>
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		<title>Nota &#224; Can&#231;&#227;o da Sequoia</title>
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		<pubDate>Wed, 06 Jan 2010 22:59:25 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Gentil</dc:creator>
				<category><![CDATA[15. Canção da Sequóia]]></category>
		<category><![CDATA[Canção da Sequoia]]></category>

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		<description><![CDATA[O poema Can&#231;&#227;o da Sequ&#243;ia (“Song of the Redwood-Tree”) trata das &#225;rvores gigantes da costa do Pac&#237;fico, as &#225;rvores incrivelmente altas que podem alcan&#231;ar at&#233; 115,5 metros de altura e viver at&#233; 2200 anos de idade. No poema h&#225; vozes de dr&#237;ades, as ninfas vegetais e divindades que regem as &#225;rvores, e hamadr&#237;ades, ninfas vegetais [...]]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: justify;">O poema <strong><a title="ir para o poema" href="http://poesiadewhitman.com/cancao-da-sequoia.html" target="_blank">Can&ccedil;&atilde;o da </a></strong><strong><a title="ir para o poema" href="http://poesiadewhitman.com/cancao-da-sequoia.html" target="_blank">Sequ&oacute;ia</a></strong> (“<strong>Song of the Redwood-Tree</strong>”) trata das &aacute;rvores gigantes da costa do Pac&iacute;fico, as &aacute;rvores incrivelmente altas que podem alcan&ccedil;ar at&eacute; 115,5 metros de altura e viver at&eacute; 2200 anos de idade. No poema h&aacute; vozes de <strong>dr&iacute;ades</strong>, as ninfas vegetais e divindades que regem as &aacute;rvores, e <strong>hamadr&iacute;ades</strong>, ninfas vegetais que vivem somente o per&iacute;odo de vida de suas &aacute;rvores. Est&aacute; claro no texto que esta &eacute; sua can&ccedil;&atilde;o de morte conforme &eacute; ouvida pelo poeta, j&aacute; que os lenhadores n&atilde;o ouvem esse choro de morte. Exceto pelo poeta, que a escutou e a traduziu em linguagem comum. A parte em it&aacute;lico &eacute; a voz da ninfa.</p>
<p style="text-align: justify;">***</p>
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