Europa
Europa[1],
Nos Anos 72º e 73º Destes Estados
De súbito, do seu velho covil letárgico, o covil de escravos,
Como relâmpago ela saltou, meio alarmada consigo mesma,
Seus pés sobre as cinzas e os trapos, suas mãos apertadas nas gargantas de reis.
Oh esperança e fé!
Oh final dolorido de vidas de patriotas exilados!
Oh tantos corações enjoados!
Voltai a este dia, e fazei-vos de novo.
E vós, pagos para aviltar o Povo—vós, mentirosos, notai!
Não pelas inúmeras agonias, assassinatos, luxúrias,
Pelo tribunal furtando em suas múltiplas formas vis, solapando por sua simplicidade o salário do pobre,
Por muitas promessas juradas por lábios reais e quebradas e escarnecidas na quebra,
Então, em seu poder, não por tudo isso os golpes demonstram vingança, ou as cabeças dos nobres caem;
O Povo desdenhou a ferocidade dos reis.
Mas a doçura da clemência tramou destruição mais amarga, e
os monarcas amedrontados voltam,
Cada um vem com grande pompa, com seu séquito, carrasco, padre, coletor de impostos,
Soldado, advogado, lorde, carcereiro e sicofanta.
Porém por trás de tudo, sombria, roubando, vede, uma forma,
Vaga como a noite, interminavelmente coberta, cabeça, fronte e
forma, em vincos escarlates,
Cujo rosto e olhos ninguém pode ver,
De suas vestes só isso, as rubras vestes erguidas pelo braço,
Um dedo curvado apontado alto sobre o topo, como a cabeça de uma cobra aparece.
Enquanto isso, cadáveres jazem em túmulos recém-cavados, cadáveres sangrentos de jovens,
A corda da forca pende pesadamente, as balas de príncipes estão voando, as criaturas de poder riem alto,
E todas estas coisas dão frutos, e eles são bons.
Esses corpos de jovens,
Esses mártires que pendem das forcas, esses corações perfurados pelo chumbo cinzento,
Frios e imóveis como parecem, vivem em outro lugar com imbatível vitalidade.
Eles vivem em outros jovens, ó reis!
Eles vivem em irmãos de novo prontos para vos desafiar!
Eles foram purificados pela morte, foram ensinados e exaltados.
Todo túmulo dos massacrados por liberdade produz semente de liberdade, que dará semente por sua vez,
Que os ventos levam longe e re-semeiam, e as chuvas e as neves nutrem.
Nem um espírito desencarnado pode soltar as armas dos tiranos,
Ele espreita invisivelmente sobre a terra, sussurrando, aconselhamento, advertindo.
Liberdade, que outros desistam de ti–Eu nunca desisto de ti.
A casa está fechada? o mestre está fora?
No entanto, estejais prontos, não vos canseis de vigiar,
Ele retornará logo, seus mensageiros vem sem demora.
[1] Este é o mais antigo poema entre os doze da edição original de 1855 (foi publicado no New York Daily Tribune em 1850). Este poema foi inspirado pelo ano de 1848, o ano das revoluções, quando Luis Felipe foi retirado do trono na França e a Segunda República foi instaurada. Também Ferdinando I da Áustria abdicou, e a liberdade foi proclamada na Hungria, além das revoltas na Irlanda, Lombardia, Veneza, Dinamarca e outros lugares.