Canção de Mim Mesmo, parte 49

49

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E quanto a ti, Morte, e tu, amargo abraço da mor­talidade, é vão tentar me alarmar.

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Ao seu trabalho sem esquiva a accoucheur[1] chega,

Vejo a velha mão pressionando recebendo apoiando,

Me reclino nas soleiras das primorosas portas flexíveis[2],

E marco a saída, e marco o alívio e o escape.

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E quanto a ti, Cadáver, acho que és bom adu­bo, mas isto não me ofende,

Aspiro as rosas brancas doce-aromadas crescentes,

Busco os lábios folhosos, busco os seios poli­dos dos melões.

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E quanto a ti, Vida, considero que sejas as sobras de muitas mortes,

(Sem dúvida eu mesmo morri dez mil vezes antes.)

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Vos ouço sussurrando aí Oh estrelas do céu,

Oh sóis – Oh relva dos sepulcros – Oh perpétuas transfe­rências e promoções,

Se nada dizeis, como posso dizer algo?

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Da túrbida poça que jaz na floresta outonal,

Da lua que desce as ladeiras do suspirante crepúsculo,

Agitai, centelhas do lusco-fusco – agitai nos negros talos que apodrecem no estrume,

Agitai para a algaravia lastimosa dos galhos secos.

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Ascendo da lua, ascendo da noite,

Percebo que o lívido lampejo são os raios do sol a pino refletidos,

E da prole magna ou miúda emerjo para o está­vel e central.


[1] Parteira, comadre, obstetra.

[2] Observe-se a referência à genitália feminina.

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