Canção de Mim Mesmo, parte 48

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Tenho dito que a alma não é mais que o corpo,

E tenho dito que o corpo não é mais que a alma,

E nada, nem Deus, é maior para alguém do que seu próprio eu,

E quem andar duzentos metros sem solidariedade anda para o próprio funeral vestido em sua mortalha,

E eu ou tu sem um tostão no bolso podemos comprar o escol da terra,

E relancear com um olho ou mostrar um feijão em sua vagem confunde a erudição de todos os tempos,

E não há comércio ou emprego que o jovem siga que não se torne um herói,

E não há objeto tão macio que não faça um eixo para o universo sobre rodas,

E digo a qualquer homem ou mulher, Que sua alma fique calma e composta ante um milhão de universos.

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E digo à humanidade, Não sejas curiosa acerca de Deus,

Pois eu que sou curioso acerca de todos não estou curioso acerca de Deus,

(Nenhum arranjo de termos pode dizer o quanto estou em paz acerca de Deus e da morte.)

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Ouço e vejo Deus em todo objeto, no entanto de modo algum entendo Deus,

Nem entendo quem pode haver mais maravilhoso que eu mesmo.

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Por que eu devia desejar ver Deus mais que a este dia?

Vejo algo de Deus em cada hora das vinte e qua­tro, e em cada momento então,

Nos rostos de homens e mulheres vejo Deus, e em meu próprio rosto no vidro,

Encontro cartas de Deus caídas na rua, e cada uma está assinada com o nome de Deus,

E as deixo onde estão, pois sei que onde quer que eu for,

Outras pontualmente virão sempre e sempre.

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