Canção de Mim Mesmo, parte 46

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Sei que tenho o melhor do tempo e espaço, e nunca fui medido e nunca serei medido.

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Vagueio numa jornada perpétua, (vinde ouvi to­dos!)

Meus sinais são um casaco impermeável, bons sapatos, e um cajado cortado dos bosques,

Nenhum amigo descansa em minha cadeira,

Não tenho cadeira, nem igreja, nem filosofia,

Não conduzo homem algum a uma mesa de jantar, biblioteca, câmbio,

Mas cada homem e cada mulher de vós conduzo a um outeiro,

Minha mão esquerda enlaçando vossa cintura,

Minha mão direita apontando paisagens de conti­nentes e a via pública.

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Nem eu, nem ninguém mais pode percorrer essa via por vós,

Devei percorrê-la por si mesmos.

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Não é distante, está dentro de alcance,

Talvez estejais nela desde que nascestes e não sabíeis,

Talvez ela esteja em toda parte sobre a água e sobre a terra.

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Joga a trouxa nas costas, caro filho, e eu a minha, e

vamos logo,

Cidades maravilhosas e nações livres buscaremos conforme

andamos.

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Se cansares, dá-me os fardos, e repousa a palma de tua

mão em meu quadril,

E na hora certa me retribuirás com este mesmo favor,

Pois após a partida nunca delongaremos de novo.

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Hoje antes da aurora escalei uma colina e contemplei o céu repleto,

E disse ao meu espírito Quando nos tornarmos os in­vólucros desses orbes, e o prazer e conhecimento de cada coisa neles, estaremos completos e sa­tisfeitos então?

E meu espírito disse Não, só nivelamos essa su­bida para passar e ir além.

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Estás me perguntando algo também e ouço-te,

Respondo que não posso responder, deves des­cobrir por ti mesmo.

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Senta-te um momento caro filho,

Eis biscoito para comer e eis leite para beber,

Mas logo que dormires e renovares-te em rou­pa cheirosa, darei-te um beijo de despedida e abrirei o portão para teu egresso daqui.

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Há tempos tens sonhado sonhos vis,

Agora lavo a goma de tuas vistas,

Deves habituar-te ao fulgor da luz e de cada momento de tua vida.

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Muito andaste timidamente com uma prancha na praia,

Agora quero que sejas um audaz nadador,

Para pular no meio do mar, emergir, cumprimentar-me, gritar, e risonhamente sacudir teu cabelo.

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