Canção de Mim Mesmo, parte 40

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Pompa dos raios solares não quero teu calor – retarda!

Tu só fulges em superfícies, eu forço superfícies e profundidades também.

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Terra! pareces buscar algo em minhas mãos,

Diz, velho topete, o que queres?

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Homem ou mulher, contaria como vos estimo, mas não posso,

E contaria o que está em mim e o que está em vós, mas não posso,

E contaria a ânsia que tenho, a pulsação de mi­nhas noites e dias.

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Vede, não dou palestras ou esmolinhas,

Quando dou, dôo eu mesmo.

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Ei, impotente, frouxo nos joelhos,

Abre teus cortes lanhados até que eu insufle garra em ti,

Expande tuas palmas e ergue as abas de teus bolsos,

Não devo ser negado, forço, tenho estoques bastantes e de sobra,

E tudo que tiver eu outorgo.

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Não pergunto quem tu és, isso não é importante para mim,

Podes fazer nada e ser nada exceto o que eu te envolver.

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Ao bóia-fria do algodoal ou limpador de latrinas me apoio,

Em sua face direita deposito o beijo de família,

E em minha alma juro que nunca o negarei.

Em mulheres aptas para a concepção engendro nenens maiores e mais lépidos,

(Hoje estou jorrando a matéria de repúblicas muito mais arrogantes.)

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A qualquer moribundo, corro e giro o trinco da porta,

Viro as roupas-de-cama para o pé da cama,

Mando o médico e o padre embora.

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Agarro o declinante e o ergo com vontade irresis­tível,

Ah desesperado, eis meu pescoço,

Por Deus, não irás afundar! pendura todo o teu peso em mim.

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Dilato-te com um tremendo hausto, dou-te alen­to,

Cada cômodo da casa preencho com uma força armada,

Amantes de mim, obstruidores de túmulos.

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Dorme – vigiaremos toda a noite,

Nem dúvida, nem decesso ousarão deitar dedos em ti,

Te abracei, e doravante possuo-te para mim,

E quando te ergueres de manhã verás que o que te conto é assim.

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