Canção de Mim Mesmo, parte 35

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Ouvirias o relato de uma antiga batalha-naval?

Gostarias de saber quem venceu à luz da lua e das estre­las?

Ouça a fábula, como o marujo pai de minha vó a contou a mim.

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Nosso inimigo não era um moleirão em seu navio, te digo, (disse ele,)

Ele tinha o ríspido ânimo inglês, e não há mais brigão ou mais genuíno, e nunca houve, e nunca haverá;

Pela baixa tarde ele veio horrivelmente nos varrendo de balas.

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Fechamos sobre ele, as vergas embaraçaram, o canhão disparou,

Meu capitão atacou rápido com suas próprias mãos.

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Tínhamos recebido uns dezoito baques de tiros sob a água,

Em nosso convés armado inferior duas peças grandes tinham estourado no primeiro fogo, matando tudo em volta e rebentando acima.

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Lutando ao poente, lutando no escuro,

Dez horas da noite, a lua cheia alta, vazamentos por todo lado, e cinco pés de água registrados,

O suboficial livrando os prisioneiros confinados no porão de popa para dar-lhes uma chance.

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O trânsito de um lado pro outro no paiol foi inter­ditado pelos sentinelas,

Eles vêem tantas caras estranhas que não sabem em quem confiar.

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Nossa fragata pega fogo,

A outra pergunta se nos rendemos?

Se nossa bandeira está arriada e a luta tá liquidada?

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Agora rio contente, pois ouço a voz de meu peque­no capitão,

Não arriamos a bandeira, ele serenamente grita, re­cém-começamos a tomar parte na luta.

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Apenas três canhões têm serventia,

Um é dirigido pelo próprio capitão contra o mastro principal do inimigo,

Dois bem servidos de metralha e caixa de pólvora silenciam sua mosquetaria e aprontam a embarca­ção.

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As gáveas apenas secundam o fogo desta pequena bate­ria, especialmente a gávea maior,

Eles resistem bravamente durante toda a ação.

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Sem cessar um momento,

Os vazamentos ganham rápido as bombas, o fogo avança para o paiol de pólvora.

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Uma das bombas foi acertada, há o pensamento geral de que estamos afundando.

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Sereno se mantém o pequeno capitão,

Ele não está afobado, sua voz não está alta nem bai­xa,

Seus olhos nos dão mais luz que nossas lanternas.

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Lá pelas doze nos raios da lua eles se rendem a nós.

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