Canção de Mim Mesmo, parte 14

14

O ganso selvagem guia seu bando pela noite fresca,

Ele grasna, e soa para mim como um convite,

O atrevido pode supô-lo sem sentido, mas eu, ouvindo perto,

Acho seu propósito e lugar lá em cima no céu inver­nal.

.

O casqui-afiado alce do norte, o gato na soleira, o chapim, a marmota,

A ninhada da porca grunhente puxando suas tetas,

Os filhotes da perua e ela com suas asas semi-aber­tas,

Vejo neles e em mim a mesma velha lei.

.

A pressão de meu pé sobre a terra desperta mil afei­ções,

Elas desdenham o meu esmero em narrá-las.

.

Estou encantado com o crescer ao ar livre,

Com homens que vivem entre gado ou provam do oceano ou da selva,

Com construtores e pilotos de navios e machadeiros e malhadores, e condutores de cavalos,

Posso comer e dormir com eles semana após semana.

.

O que é mais comum, mais barato, mais próximo, mais fácil, sou Eu,

Eu buscando oportunidades, gastando para vastos re­tornos,

Adornando-me para conceder-me ao primeiro que me tomará,

Sem pedir ao céu que baixe à minha boa vontade,

Difundindo-a livremente para sempre.

***

One Response to “Canção de Mim Mesmo, parte 14”

Leave a Reply