Canção de Mim Mesmo, parte 13

13

O negro segura firmemente as rédeas de seus quatro cavalos, o bloco oscila em baixo atado à corren­te,

O negro que conduz a longa carreta da pedreira, estável e ereto se apóia imóvel numa perna sobre a longarina,

Sua camisa azul expõe o amplo pescoço e o peito e afrouxa sua cinta,

Seu relance é calmo e dominante, ele ergue o chapéu na testa,

O sol cai sobre seu cabelo crespo e bigode, cai so­bre o preto de seus membros polidos e perfeitos.

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Vejo o gigante pitoresco e o amo, e não paro aí,

Vou com a equipe também.

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Em mim o acariciador de vida onde se mova, tanto atrás quanto à frente girando,

Aos nichos à parte e ao jovem curvando-me, sem perder uma pessoa ou objeto,

Absorvendo tudo para mim e para esta canção.

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Bois que chacoalham canga e corrente ou esbarram à sombra folhosa, o que expressais nos olhos?

Isto me parece mais que todo impresso que já li na vida.

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Meu passo assusta o pato e a pata na minha peram­bulação  longa e distante,

Eles sobem juntos, lentamente circulam.

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Acredito nesses propósitos alados,

E admito vermelho, amarelo, branco brincando dentro de mim,

E considero o verde e o violeta e a coroa com penacho  intencionais,

E não digo que o cágado é indigno porque ele não é uma outra coisa,

E o gaio nos bosques nunca estudou escala, no entan­to trila muito bem para mim,

E o olhar da égua baia expele a tolice de mim.

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