Canção de Mim Mesmo, parte 12

12

O jovem açougueiro despe seu traje de abate, ou afia sua faca na banca do mercado,

Me demoro desfrutando de sua réplica, arrasta-pé[1] e forrobodó[2].

.

Ferreiros com peitos sinistros e peludos rodeiam a bigorna,

Cada um tem sua marreta, estão todos fora, há um grande calor no fogo.

.

Da soleira entulhada de borralho sigo seus movi­mentos,

A torção elástica das cinturas equilibra os massivos braços,

Do alto os martelos balançam, do alto devagar, do alto seguros,

Sem pressa, cada homem bate em seu lugar.


[1] No original, shuffle: literalmente dançar arrastando os pés (forma de dança popular).

[2] No original, breakdown: uma dança agitada e ruidosa, uma farra (diversão popular).

***

One Response to “Canção de Mim Mesmo, parte 12”

Leave a Reply