Canção da Acha-d’Armas
Canção da Acha-d’Armas
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Arma simétrica, exposta, pálida,
Cunha extraída das entranhas da mãe,
Corpo lenhoso e osso metálico, único membro e único lábio,
Folha gris-azulada em calor encarnado lavrada, cabo obtido de uma sementinha semeada,
Em meio e sobre a relva a repousar,
Para ser apoio e se apoiar.
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Formas fortes e atributos de formas fortes, negócios viris, cenários e sons,
Longo variado encadeamento de um emblema, ruídos de música,
Dedos do organista saltando staccato sobre as teclas do grande órgão.
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Bem-vindas são todas as terras da terra, cada uma para sua espécie,
Bem-vindas as terras de pinheiro e carvalho,
Bem-vindas as terras de limão e figo,
Bem-vindas as terras do ouro,
Bem-vindas as terras de trigo e milho, bem-vindas as da uva,
Bem-vindas as terras de açúcar e arroz,
Bem-vindas as terras de algodão, bem-vindas as da batata inglesa e batata-doce,
Bem-vindas as montanhas, várzeas, areias, florestas, pradarias,
Bem-vindas as ricas ribeiras, chapadas, aberturas,
Bem-vindas as pastagens incomensuráveis, bem-vindo o solo fértil de pomares, linho, mel, cânhamo;
Bem-vindas igualmente as outras terras mais endurecidas,
Terras tão ricas quanto terras de ouro ou trigo e terras de fruta,
Terras de minas, terras dos minérios varonis e ásperos,
Terras de carvão, cobre, chumbo, estanho, zinco,
Terras de ferro—terras da fabricação do machado.
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A tora no monte de lenha, o machado apoiado nela,
A rústica choupana, a videira sobre a porta, o roçado para um jardim,
O respingar irregular da chuva nas folhas após a tempestade se aplacar,
A lástima e a lamúria aqui e ali, o pensamento do mar,
O pensar em navios encalhados na tempestade e quase adernados, e o corte dos mastros,
O sentimento das enormes vigas das casas antigas e dos galpões,
O impresso ou narrativa lembrada, o transporte ao acaso de homens, famílias, bens,
O desembarque, a fundação de uma nova cidade,
A viagem daqueles que buscaram uma Nova Inglaterra e a acharam, o início em qualquer lugar,
As colônias do Arkansas, Colorado, Ottawa, Willamette,
O lento progresso, o parco alimento, o machado, rifle, alforjes;
A beleza de todas as pessoas aventureiras e audazes,
A beleza dos lenhadores juvenis e adultos com suas caras claras não aparadas,
A beleza da independência, partida, ações que confiam em si,
O desdém americano por estatutos e cerimônias, a infinita impaciência da limitação,
A frouxa orientação do caráter, a alusão a tipos ao acaso, a solidificação;
O açougueiro no matadouro, os tripulantes a bordo de escunas e escaleres, o jangadeiro, o pioneiro,
Lenhadores em seu acampamento de inverno, alvorada no bosque, filetes de neve nos ramos de árvores, o estalo fortuito,
O som claro e festivo da própria voz, a canção feliz, a vida natural do bosque, o forte trabalho do dia,
O fogo flamejante à noite, o gosto suave da ceia, a conversa, a cama de ramos de cicuta e a pele de urso;
O construtor de casas a trabalho nas cidades ou em qualquer lugar,
Os encaixes, enquadramento, serra, mortagem preparatórios,
O içamento de vigas, a pressão para colocá-las no lugar, assentando-as regular,
Fixando os cravos junto às respigas nos malhetes como estavam preparados,
As batidas de macetes e martelos, as atitudes dos homens, seus membros curvados,
Se dobrando, se erguendo, montados nas vigas, cravando os pinos, se segurando em esteios e grampos,
O braço curvo sobre o frechal, o outro braço empunhando o machado,
Os soalheiros forçando as pranchas rente para pregar,
Suas posturas baixando suas armas sobre as vigas mestras,
Os ecos ressoando pelo edifício vazio;
O enorme armazém ajustado na cidade em progresso correto,
Os seis construtores, dois no meio e dois em cada ponta, cuidadosamente carregando em seus ombros uma verga pesada para travessão,
A fileira completa de pedreiros com colheres em suas mãos direitas assentando rapidamente a longa parede lateral, duzentos pés da frente ao fundo,
O flexível subir e descer de costas, o contínuo estalar das colheres batendo nos tijolos,
Os tijolos um após outro cada um assentado tão bem em seu lugar, e fixado com um golpe do cabo da colher,
As pilhas de materiais, a argamassa na trolha, e o reabastecimento regular dos carregadores;
Fazedores de longarinas no pátio, a fileira apinhada de aprendizes bem-crescidos,
O balanço de seus machados na tora esquadriada modelando-a em forma de mastro,
O vivaz crepitar curto do aço pregado enviesado no pinho,
Os cavacos cor de manteiga voando em grandes flocos e lascas,
O movimento maleável de jovens braços musculosos e quadris em trajes leves,
O construtor de cais, pontes, molhes, tabiques, bóias, esteios contra o mar;
O bombeiro da cidade, o incêndio que de repente estoura na praça apertada,
As máquinas chegando, os gritos roucos, o ágil pisar e ousar,
O comando forte das trombetas de incêndio, o entrar em forma, o subir e descer dos braços forçando a água,
Os esguios, espasmódicos, jatos azul-alvos, o trazer o auxílio de ganchos e escadas e sua execução,
A quebra e corte de madeiramento conectivo, ou através dos pisos se o fogo arde debaixo deles,
A multidão assistindo com seus rostos iluminados, o clarão e as sombras densas;
O forjador no forno de sua forja e o usuário de ferro à sua procura,
O fabricante do machado grande e pequeno, e o soldador e o temperador de metal,
O selecionador soprando seu hálito no aço frio e testando o fio com seu polegar,
O que molda bem o cabo e o ajusta firmemente na cavidade;
Os cortejos sombrios dos retratos dos usuários passados também,
Os pacientes mecânicos primordiais, os arquitetos e engenheiros,
O distante edifício Assírio e edifício Mizra[1],
Os lictores[2] romanos precedendo os cônsules,
O antigo guerreiro europeu com seu machado em combate,
O braço levantado, o fragor de golpes na cabeça galeada[3],
O uivo da morte, o corpo flácido e trôpego, o ataque de amigo e inimigo lá,
O sítio de lígios revoltados determinados à liberdade,
O apelo à rendição, o arremeter em portões de castelo, a trégua e a negociação,
O saque a uma antiga cidade em seu tempo,
O irromper de mercenários e fanáticos tumultuosa e desordenadamente,
Urro, chamas, sangue, embriaguez, demência,
Bens livremente pilhados de casas e templos, berros de mulheres agarradas por bandidos,
Arte e furto de vivandeiros[4], homens correndo, velhos se desesperando,
O inferno da guerra, as crueldades de credos,
A lista de todas as ações resolutas e palavras justas ou injustas,
O poder da personalidade justo ou injusto.
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Músculo e ânimo para sempre!
O que envigora a vida envigora a morte,
E os mortos avançam tanto quanto os vivos,
E o futuro não é mais incerto que o presente,
Pois a aspereza da terra e do homem inclui tanto quanto a delicadeza da terra e do homem,
E nada perdura exceto qualidades pessoais.
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O que achas que perdura?
Achas que uma grande cidade perdura?
Ou um produtivo estado industrial? ou uma constituição preparada? ou os navios a vapor mais bem construídos?
Ou hotéis de granito e ferro? ou quaisquer chef-d’oeuvres[5] de engenharia, fortes, armamentos?
Fora! estes não são para ser acalentados por si mesmos,
Eles preenchem seu tempo, os dançarinos dançam, os músicos tocam para eles,
O espetáculo passa, tudo vai bem o bastante claro,
Tudo vai muito bem até uma faísca de desafio.
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Uma grande cidade é aquela que tem os maiores homens e mulheres,
Se for umas choupanas rotas ainda assim é a maior cidade no mundo inteiro.
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O lugar onde fica uma grande cidade não é o lugar de cais extensos, docas, manufaturas, depósitos de produção apenas,
Nem o lugar de incessantes saudações de recém-chegados ou de levantadores de âncora de quem parte,
Nem o lugar dos edifícios mais altos e mais caros ou de lojas vendendo mercadorias do resto da terra,
Nem o lugar das melhores bibliotecas e escolas, nem o lugar onde o dinheiro é mais abundante,
Nem o lugar da mais numerosa população.
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Onde fica a cidade com a raça mais vigorosa de oradores e bardos,
Onde fica a cidade que é amada por estes, e os ama em troca e os entende,
Onde não existem monumentos a heróis exceto nas palavras e ações comuns,
Onde parcimônia está em seu lugar, e prudência está em seu lugar,
Onde os homens e mulheres consideram as leis de leve,
Onde o escravo cessa, e o senhor de escravos cessa,
Onde as massas logo se levantam contra a audácia sem fim de pessoas eleitas,
Onde homens e mulheres ferozes derramam como o mar derrama ao apito da morte suas ondas impetuosas e dilaceradas,
Onde autoridade exterior sempre entra após a precedência da autoridade interior,
Onde o cidadão é sempre o comandante e ideal, e Presidente, Prefeito, Governador e demais, são agentes remunerados,
Onde crianças são ensinadas a ser independentes, e a depender de si,
Onde a equanimidade é ilustrada nos afazeres,
Onde especulações sobre a alma são estimuladas,
Onde mulheres andam em préstitos públicos nas ruas iguais aos homens,
Onde elas entram em assembléia pública e tomam assentos iguais aos homens;
Onde fica a cidade dos amigos mais fiéis,
Onde fica a cidade do asseio dos sexos,
Onde fica a cidade dos pais mais saudáveis,
Onde fica a cidade das mães fisicamente mais aptas,
Aí fica a grande cidade.
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Como parecem pobres argumentos ante uma ação desafiante!
Como a ostentação dos materiais de cidades murcha ante o olhar de um homem ou mulher!
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Tudo aguarda ou corre à revelia até que um ser forte apareça;
Um ser forte é a evidência da raça e da habilidade do universo,
Quando ele ou ela aparece os materiais são intimidados,
Cessa a disputa na alma,
Os velhos costumes e frases são confrontados, repelidos, ou armazenados.
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O que é teu enriquecimento agora? o que ele pode fazer agora?
O que é tua respeitabilidade agora?
O que são tua teologia, instrução, sociedade, tradições, livros estatuto, agora?
Onde estão tuas invectivas de ser agora?
Onde estão teus sofismas sobre a alma agora?
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Uma paisagem estéril cobre o minério, há tão bom quanto o melhor apesar da aparência agreste.
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Há a mina, há os mineiros,
O forno da forja está lá, a fusão é realizada, os marteladores estão à mão com suas tenazes e martelos,
O que sempre serviu e sempre serve está à mão.
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Do que isto nada serviu melhor, serviu tudo,
Serviu o grego de fala fluente e percepção aguçada, e muito antes do grego,
Serviu na construção dos edifícios que duram mais que os outros,
Serviu o hebreu, o persa, o mais antigo hindustani,
Serviu a tribo pré-histórica no Mississippi[6], serviu aqueles cujas relíquias permanecem na América Central,
Serviu os templos Álbicos[7] em bosques ou planícies, com pilares brutos e os druidas,
Serviu as fissuras artificiais, vastas, altas, silenciosas, nas colinas cobertas de neve da Escandinávia,
Serviu aqueles que em tempos imemoriais fizeram nas paredes de granito rústicos esboços do sol, lua, estrelas, navios, ondas do mar,
Serviu as rotas das irrupções dos godos, serviu as tribos pastorais e nômades,
Serviu o distante Kelt[8], serviu os intrépidos piratas do Báltico,
Serviu antes de qualquer um desses os homens veneráveis e inofensivos da Etiópia,
Serviu a confecção de lemes para as galés de prazer e a fabricação dessas para a guerra,
Serviu todos os grandes trabalhos em terra e todos os grandes trabalhos no mar,
Para as eras medievais e antes das eras medievais,
Serviu não só os vivos antes como agora, mas serviu os mortos.
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Vejo o carrasco[9] europeu,
Ele está mascarado, trajado de vermelho, com pernas enormes e fortes braços despidos,
E se apóia num pesado machado.
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(Quem tens abatido ultimamente carrasco europeu?
De quem é esse sangue sobre ti tão úmido e grudento?)
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Vejo os alvos ocasos dos mártires,
Vejo dos cadafalsos os fantasmas descentes,
Fantasmas de senhores mortos, damas descoroadas, ministros impugnados, reis rejeitados,
Rivais, traidores, envenenadores, líderes desgraçados e os demais.
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Vejo aqueles que em qualquer terra morreram pela boa causa,
A semente é escassa, no entanto a safra nunca se esgotará,
(Cuidai, Ah reis estrangeiros, Ah padres, a safra nunca se esgotará.)
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Vejo o sangue inteiramente lavado do machado,
Tanto a lâmina quanto o cabo estão limpos,
Eles não espirram mais o sangue de nobres europeus, não mais cingem os pescoços de rainhas.
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Vejo o carrasco recuar e se tornar inútil,
Vejo o ínvio e mofado cadafalso, não vejo mais nenhum machado nele,
Vejo o poderoso e simpático emblema do poder de minha própria raça, a raça mais nova, maior.
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9
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(América! não alardeio meu amor por ti,
Tenho o que eu tenho.)
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O machado salta!
A sólida floresta dá fluidas elocuções,
Elas desabam, levantam e formam,
Cabana, barraca, plataforma, inspeção,
Mangual, arado, picareta, alavanca, pá,
Sarrafo, grade, escora, lambris, batente, ripa, painel, oitão,
Cidadela, teto, bar, academia, órgão, casa de exposição, biblioteca,
Cornija, treliça, pilastra, sacada, janela, torreão, varanda,
Enxada, ancinho, forcado, lápis, carreta, cajado, serra, plaina, malho, cunha, manilha[10],
Cadeira, tina, aro, mesa, postigo, ventoinha, caixilho, piso,
Caixa de costura, baú, instrumento de corda, barco, moldura, e não sei que mais,
Capitólios dos Estados, e capitólio[11] da nação de Estados,
Longas fileiras imponentes em avenidas, hospitais para órfãos ou para os pobres ou doentes,
Vapores de Manhattan e veleiros tomando as medidas de todos os mares.
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As formas se elevam!
Formas do uso de machados de qualquer forma, e os usuários e tudo aquilo que os avizinha,
Cortadores de madeira e carregadores dela para o Penobscot ou Kennebec[12],
Moradores em cabanas entre as montanhas Californianas ou à beira de pequenos lagos, ou em Colúmbia,
Moradores ao sul nas margens do Gila ou Rio Grande, simpáticos ajuntamentos, os caráteres e a diversão,
Moradores à beira do São Lourenço, ou norte no Kanadá, ou junto a Yellowstone[13], moradores nos litorais e fora dos litorais,
Pescadores de focas, baleeiros, marinheiros árticos quebrando passagens pelo gelo.
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As formas se elevam!
Formas de fábricas, arsenais, fundições, mercados,
Formas dos duplos trilhos tramados das ferrovias,
Formas dos dormentes de pontes, vastas armações, barrotes, arcos,
Formas das frotas de barcaças, reboques, destreza lacustre e canalar, destreza fluvial,
Estaleiros e docas secas à beira dos mares Orientais e Ocidentais, e em muita baía e lugar retirado,
As sobrequilhas de carvalho americano, as pranchas de pinho, os mastros, as raízes de lariço como juntas,
Os próprios navios em suas rotas, os atadores de plataformas, os trabalhadores ocupados fora e dentro,
As ferramentas largadas, a grande verruma e pequena verruma, a enxó, parafuso, linha, esquadro, goiva, e plaina para nódulos.
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As formas se elevam!
A forma medida, serrada, erguida, unida, manchada,
A forma do caixão para o morto jazer dentro em sua mortalha,
A forma conseguida em hastes, nas hastes da armação da cama, nas hastes da cama da noiva,
A forma do pequeno cocho, a forma das armações curvas em baixo, a forma do berço do bebê,
A forma das tábuas do assoalho, as tábuas do assoalho para pés de dançarinos,
A forma das tábuas do lar familiar, o lar dos simpáticos pais e filhos,
A forma do telhado do lar do rapaz e moça felizes, o telhado sobre os jovens bem-casados,
O telhado sobre a ceia jubilosamente cozida pela casta esposa, e jubilosamente comida pelo casto marido, contente depois de seu dia de trabalho.
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As formas se elevam!
A forma do lugar do prisioneiro no tribunal, e dele ou dela sentado no lugar,
A forma do bar no qual se apóiam o jovem e o velho bebedor de rum,
A forma da escada envergonhada e raivosa pisada por passos furtivos,
A forma do sofá, e o casal adúltero doentio,
A forma do tabuleiro de jogo com seus ganhos e perdas diabólicos,
A forma da escada de mão para o assassino condenado e sentenciado, o assassino com rosto desfigurado e braços atados,
O xerife perto com seus delegados, a multidão silenciosa e de lábios pálidos, o balanço da corda.
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As formas se elevam!
Formas de portas dando muitas saídas e entradas,
A porta passando o amigo dividido corado e com pressa,
A porta que admite boas notícias e más notícias,
A porta de onde o filho deixou o lar confiante e esbaforido,
A porta pela qual entrou de novo após longa e escandalosa ausência, adoecido, arruinado, sem inocência, sem meios.
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Sua forma se eleva,
Ela menos guardada que nunca, porém mais guardada que nunca,
Os toscos e sujos entre os quais se move não a fazem tosca e suja,
Ela conhece os pensamentos conforme passa, nada é oculto a ela,
Ela é contudo respeitosa ou simpática para isso,
Ela é a mais amada, é sem exceção, ela não tem razão para temer e ela não teme,
Juramentos, querelas, canções soluçadas, expressões obscenas, são vãs a ela quando ela passa,
Ela é calada, ela é dona de si, eles não a ofendem,
Ela os recebe como as leis da Natureza os recebem, ela é forte,
Ela também é uma lei da Natureza—não há nenhuma lei mais forte que ela.
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As formas principais se elevam!
Formas de Democracia total, resultado de séculos,
Formas sempre projetando outras formas,
Formas de turbulentas cidades varonis,
Formas dos amigos e doadores de lares de toda a terra,
Formas fixando a terra e fixadas com toda a terra.
[1] Egípcio; Mizraim é o nome bíblico do Egito.
[2] Variação: litor; oficial que, na Roma antiga, acompanhava os magistrados com um molho de varas e uma machadinha para as execuções da justiça. Este feixe de varas com machado (em it., fascio; em lat. fasces), representando o poder de punição das autoridades, se transformou no símbolo do fascismo (1922-1943; sistema político nacionalista, imperialista e antidemocrático, liderado por Benito Mussolini, 1883-1945, na Itália).
[3] “Helmeted head”, ou seja, cabeça protegida por capacete ou elmo, que era um tipo de capacete que protegia a cabeça nas armaduras antigas; outro nome pra elmo é “gálea”, daí, galeado(a).
[4] Vendedores e prostitutas que seguem unidades militares em campanha.
[5] Do francês, obras primas.
[6] No original, “Served the mound-raiser on the Mississippi”; esta tribo pré-histórica, que construiu aterros, túmulos e cômoros no vale do Mississippi é geralmente conhecida como “mound-builder”.
[7] Ou “templos ingleses”; o termo vem de Albion, antigo nome da Inglaterra.
[8] Variante de (Celt) Celta.
[9] No sentido de decapitador.
[10] Alça ou manivela de prelo manual.
[11] Note-se a inversão da letra inicial desta palavra no poema: a sede do Congresso em Washington, D.C. é com maiúscula: Capitólio; e as sedes das assembléias legislativas estaduais, com minúscula: capitólios.
[12] Nota-se pelo próprio contexto que são rios; no caso, rios localizados no estado do Maine e que deságuam no Oceano Atlântico.
[13] Rio, lago e parque (o Parque Nacional de Yellowstone foi criado em 1872, e é o primeiro parque nacional dos Estados Unidos da América; ele se localiza em Wyoming, Montana e Idaho).
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