A Ti

A Ti

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grupo de seres humanos

grupo de seres humanos

Quem quer que tu sejas, temo que estejas passando em passagens de sonhos,

Temo que estas supostas realidades se derreterão sob teus pés e mãos,

Mesmo agora teus traços, júbilos, fala, casa, comércio, modos, problemas, tolices, traje, crimes, dissipam-se pra longe de ti,

Tua verdadeira alma e corpo aparecem à minha frente,

Eles se destacam dos afazeres, do comércio, lojas, trabalho, fazendas, roupas, da casa, comprar, vender, comer, beber, sofrer, morrer.

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Quem quer que tu sejas, agora coloco minha mão sobre ti, que tu sejas meu poema,

Sussurro com meus lábios junto a teu ouvido,

Tenho amado muitas mulheres e homens, mas não amo ninguém melhor que tu.

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Oh tenho sido dilatório e tolo,

Eu devia ter aberto meu caminho direto a ti há muito tempo,

Eu não devia ter tagarelado nada exceto a ti, eu não devia ter cantado nada exceto a ti.

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Deixarei tudo e virei fazer teus hinos,

Ninguém te entendeu, mas eu te entendo,

Ninguém fez justiça a ti, não fizeste justiça a ti mesmo,

Ninguém te achou senão imperfeito, só eu não acho imperfeição em ti,

Ninguém deixaria de te subordinar, só eu sou aquele que nunca consentirá em te subordinar,

Só eu sou aquele que não coloca sobre ti nenhum mestre, dono, melhor, Deus, além do que espera intrinsecamente em ti mesmo.

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Pintores têm pintado seus grupos fervilhantes e a figura central de tudo,

Da cabeça da figura central se espalha um nimbo de luz dourada,

Mas eu pinto miríades de cabeças, mas não pinto nenhuma cabeça sem seu nimbo de luz dourada,

Da minha mão do cérebro de todo homem e mulher ela emana, fulgurantemente fluindo infinita.

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Oh eu poderia cantar tais grandezas e glórias sobre ti!

Não tens sabido o que tu és, tens cochilado sobre ti mesmo toda tua vida,

Tuas pálpebras têm ficado como que fechadas a maior parte do tempo,

O que tens feito já retorna em zombarias,

(Tua parcimônia, conhecimento, orações, se não retornam em zombarias, qual é seu retorno?)

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As zombarias não são tu,

Sob elas e dentro delas vejo que tu espreitas,

Eu te busco onde ninguém mais te buscou,

Silêncio, a escrivaninha, a expressão frívola, a noite, a rotina costumeira, se estas coisas te ocultam de outros ou de ti mesmo, elas não te ocultam de mim,

O rosto barbeado, o olho instável, a compleição impura, se estas coisas impedem outros elas não me impedem,

O traje atrevido, a atitude disforme, embriaguez, gula[1], morte prematura, tudo isso eu separo.

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Não há nenhum dote em homem ou mulher que não esteja talhado em ti,

Não há nenhuma virtude, nenhuma beleza em homem ou mulher, que não esteja em ti,

Nenhuma garra, nenhuma resistência em outros, que não esteja em ti,

Nenhum prazer aguardando outros, que não haja um prazer igual à tua espera.

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Quanto a mim, não dou nada a ninguém que eu não dê igual cuidadosamente a ti,

Não canto as canções da glória de ninguém, nem de Deus, antes que eu cante as canções da tua glória.

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Quem quer que tu sejas! reivindica o que te pertence sob qualquer risco!

Estes espetáculos do Leste e Oeste são maçantes comparados a ti,

Estes prados imensos, estes rios intermináveis, tu és imenso e interminável como eles,

Estas fúrias, elementos, tempestades, movimentos da Natureza, angústias de dissolução aparente, tu és aquele ou aquela que é mestre ou mestra deles,

Mestre ou mestra por si mesmos da Natureza, elementos, dor, paixão, dissolução.

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Os grilhões caem de teus tornozelos, tu encontras uma suficiência infalível,

Velho ou jovem, macho ou fêmea, rude, baixo, rejeitado pelos demais, o que tu fores se proclama,

Através de nascimento, vida, morte, enterro, os meios são fornecidos, nada é restrito,

Através de raivas, perdas, ambição, ignorância, enfado, o que tu fores avança com cuidado.


[1] Em inglês, “greed”, que também pode ser cobiça, ganância. Pela proximidade com embriaguez, deixei gula.

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