Aos Estados
Aos Estados,
Para identificar a 16ª, 17ª, ou 18ª Presidenciad[1]
POR QUE reclinando, interrogando? por que eu e totalmente sonolento?
Que crepúsculo sombrio–espuma flutuando sobre as águas!
Quem são eles, feito morcegos e cães das trevas de esguelha na assembléia?[2]
Que imunda Presidentiad! (Oh Sul, teus tórridos sóis! Oh Norte, teus árticos congelamentos!)
Aqueles são realmente Congressistas? são aqueles os grandes Juízes? aquele é o Presidente?
Então vou dormir mais um pouco, pois vejo que estes Estados dormem, por razões;
(Com escuridão agregadora, com murmurante trovão e disparos luminosos todos despertamos a tempo,
Sul, Norte, Leste, Oeste, interior e litoral, certamente despertaremos.)
[1] Este poema foi composto durante os anos de 1857, 58 e 59, e essas referências são feitas às administrações de Millar Fillmore, Franklin Pierce e James Buchanan (1850-1861), época em que Whitman se afastou da política (para se dedicar à poesia), por ter se desapontado completamente com a corrupção que grassava em todos os escalões do governo norte-americano. O presidente seguinte foi Abraham Lincoln (eleito em 1861), considerado até hoje o maior presidente da história dos Estados Unidos (em 1862, Whitman mudou-se para Washington).
[2] No original, “capitol”, que quer dizer a sede da assembléia legislativa; em maiúscula, “Capitol”, é a sede do governo em Washington.