Ao Alcatraz
Ao Alcatraz[1]
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Tu que dormiste toda a noite na tormenta,
Acordando renovado em espantosas penas,
(Rompeste a brava tormenta? e acima subiste,
E dormiste no céu, teu servo que criou-te,)
Agora um ponto azul, no céu longe planando,
Quanto à luz que emerge aqui no convés, te assisto,
(Eu mesmo um grão, um ponto na vagante vastidão do mundo.)
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Longe, distante no mar,
Depois que os ferozes detritos da noite juncaram a praia com destroços,
Com o dia re-aparecendo agora tão feliz e sereno,
A rósea e elástica aurora, o sol flamejante,
A límpida expansão do ar cerúleo,
Tu também re-apareceste.
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Tu nascido pra contrapor o vendaval, (tu és só asas,)
Pra enfrentar céu e terra e mar e furacão,
Tu navio do ar que nunca enrolas tuas velas,
Dias, até mesmo semanas sem cansaço e adiante, por espaços, reinos girando,
No ocaso que olhas o Senegal, de manhã a América,
Que brincas em meio ao clarão do raio e nuvem tempestuosa,
Neles, em tuas experiências, tiveste tu minha alma,
Que júbilos! que júbilos foram teus!
[1] É uma ave pelicaniforme (chamada em português também por fragata, albatroz, joão-grande ou tesourão) das costas atlântica e pacífica da América tropical e subtropical. Este poema foi inspirado pelo O Pássaro, de Jules Michelet. E o poeta francês Charles Baudelaire escreveu um poema chamado O Albatroz.
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One Response to “Ao Alcatraz”
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