A consciência da unidade em Whitman
Walt Whitman expressou sua consciência da unidade com a natureza de várias formas em vários poemas. Uma delas foi na última seção da Canção de Mim Mesmo, em que ele se doa à terra para renascer na relva que ele ama, admoestando aos leitores para procurá-lo aí, na vegetação:
“Entrego-me ao solo para brotar da relva que amo,
Se me quiseres de novo, procura-me sob as solas de tuas botas.”
Aliás, sua clássica introdução a esse mesmo poema é uma demonstração dessa unidade de maneira até científica, mostrando sua interpenetração com os outros seres:
“Eu celebro a mim mesmo, e canto a mim,
E o que assumo, tu assumes,
Pois todo átomo pertencente a mim também per tence a ti.”
Essa consciência da unidade com a natureza e com os seres é o que podemos chamar de comunhão, ou eucaristia, e também consciência crística, pois Jesus Cristo foi aquele que comunicou isso ao mundo, na Santa Ceia, ao oferecer o pão e o vinho como seu corpo e seu sangue, mostrando por este gesto sua unidade com a Criação, que é a expressão da Eucaristia.
(Leia mais profundamente sobre a Eucaristia nesta página, na parte 5.)
Certamente, Whitman buscou inspiração para isso em Cristo, como ele indica no poema A Base de Toda a Metafísica, em que faz uma pequena retrospectiva sobre seus mestres / mentores: Platão, Sócrates, Cristo, Kant, Fichte, Schelling e Hegel.